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    Se Barragens da RMBH se romperem Santa Luzia terá colapso no Abastecimento de água


    Importante fonte de abastecimento de Belo Horizonte e municípios da região metropolitana, o rio das Velhas está na rota dos rejeitos de pelo menos oito barragens com alto risco de rompimento em Minas. O diagnóstico das estruturas é da Agência Nacional de Mineração (ANA) e do Ministério Público do Estado (MPMG), que alegam problemas na estabilidade dos reservatórios. Para especialistas, a situação é “extremamente grave” e “preocupante”.

    O temor é justificado pelo eventual impacto na oferta de água à Grande BH, além dos possíveis “danos irreparáveis” à bacia, em caso de rupturas. Atualmente, segundo a Copasa, além de Santa Luzia, BH, Nova Lima, Raposos, São José da Lapa, Sabará, Vespasiano e Lagoa Santa recebem o recurso hídrico captado do Velhas.

    A população afetada em caso de interrupção da captação é de, pelo menos, 3 milhões de pessoas. “Se ocorrer algo similar ao registrado em Brumadinho, a Região Metropolitana de Belo Horizonte vai entrar em colapso no abastecimento”, garante a ambientalista Maria Teresa Corujo, integrante do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam).

    Na rota de colisão com o rio das Velhas está a barragem Dique 2, em Itabirito, na região Central do Estado, pertencente à Minar Mineração. Além dela, há os reservatórios I e II na Mina do Engenho, em Rio Acima, da Mundo Mineração.

    Sobrecarga

    A suspensão da captação de água do rio Paraopeba, cujas águas foram poluídas após o rompimento na mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, aumenta a preocupação de municípios e órgãos ambientais. Para suprir o volume que o manancial gerava às cidades, a Copasa tem recorrido às represas do rio Manso, Serra Azul e Várzea das Flores.

    Os reservatórios operam como reserva do rio e são capazes de suprir as necessidades da população durante os períodos de estiagem de 2019 e 2020, conforme a companhia.

    O Paraopeba não vai poder atender às pessoas tão cedo. É uma situação de extrema gravidade e grande preocupação”, reforça Maria Teresa.

    A ambientalista ainda demonstra preocupação com o São Francisco, que tem o Velhas como principal afluente. “É mais uma ameaça ao ‘Velho Chico’, assim como o ocorrido em Brumadinho. Estamos diante de uma bomba-relógio”, lamenta.

    Trabalho no lixo

    De todas as barragens em risco de ruptura, a situação mais preocupante, de acordo com o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, Marcus Vinícius Polignano, é a das duas estruturas em Rio Acima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

    Elas estão próximas à Estação de Tratamento Bela Fama, onde é realizado o processo de limpeza da água que é entregue para abastecer a população. “Ao contrário do Paraopeba, o rio das Velhas não tem nenhuma reserva. O sistema de captação é a fio d’água (direto do rio)”, justifica Polignano.

    O complexo pertence à empresa Mundo Mineração e está desativado há sete anos, segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM). “Está totalmente abandonado. O comitê já denunciou a situação das barragens e ninguém fez nada. Se romper ali e a lama cair no Velhas, será um desastre completo”, avalia o ambientalista.

    Recuperação

    Outra preocupação de Marcos Vinícius Polignano é em relação ao trabalho de revitalização do rio das Velhas. O processo começou em 2005, com a ajuda do Projeto Manuelzão, da UFMG, e apoio da Copasa, Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e do governo do Estado.

    Estações de tratamento de esgoto, recuperação de nascentes urbanas nas bacias dos ribeirões Arrudas e Onça em Belo Horizonte, além de outras ações, receberam investimento de R$ 1 bilhão, de 2005 a 2019.

    Conseguimos melhorar os parâmetros de oxigenação e reduzir o índice de metais na água. Tudo isso está ameaçado e, caso aconteça alguma coisa, a gente pode retroceder dez anos”, teme o especialista.

    Prevenção

    Biólogo da Fundação SOS Mata Atlântica, Tiago Felix explica que diante da possibilidade de rompimento é imprescindível agir de forma preventiva.

    O especialista, que passou dez dias em expedição no rio Paraopeba, analisando os impactos do desastre de Brumadinho, garante ser possível “minimizar os danos” no caso de outro vazamento.

    Perder o Velhas a essa altura do campeonato seria algo gravíssimo, principalmente porque afetaria o São Francisco”, afirma. “Lembrando que a situação desse rio (Velhas) já não é a desejável. Então, se isso acontecer, acaba de vez com uma importante fonte de abastecimento da capital mineira”, avalia Felix.

    Fonte: Hoje em Dia

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