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    Por falta de maternidade, grávidas de Santa Luzia são obrigadas a sair da cidade para ter seus filhos


    Desde o fechamento de hospital em 2015, não nasce ninguém na cidade de 200 mil habitantes. Em dez anos, Minas Gerais sofreu redução de quase 400 leitos de obstetrícia.

    Há três anos ninguém nasce em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Após o fechamento do Hospital São João de Deus em 2015, grávidas da cidade precisam disputar vagas em maternidades da capital, a 20 quilômetros de distância, ou procurar por outros municípios que ainda têm serviço de obstetrícia. Santa Luzia tem mais de 200 mil habitantes.

    “A minha filha está grávida. Ela está fazendo o pré-natal aqui, mas para ganhar só em Belo Horizonte. Eu acho uma falta de respeito com a gente porque a cidade de Santa Luzia, do tamanho que é, não ter uma maternidade é revoltante”, disse a moradora Elinéia Koby, mãe de três filhos.



    Ao contrário das irmãs, o caçula Miguel, de dois anos, nasceu em Vespasiano, a cerca de 20 quilômetros de Santa Luzia. Elinéia só conseguiu chegar ao hospital graças a um amigo que lhe deu uma carona. “Ou tinha que ter dinheiro em mãos para chamar um táxi, um uber ou contar com a ajuda de amigos para poder me levar”, contou ela.

    Em 2012, Santa Luzia contava com 22 leitos na maternidade do Hospital São João de Deus. Hoje o número caiu para zero, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG).

    Esta redução é observada em outras cidades da região metropolitana:

    Contagem

    Centro Materno Infantil Juventina Paula de Jesus

    2012: 15 leitos de obstetrícia
    2018: 8 leitos de obstetrícia
    Hospital São José

    2012: 4 leitos de obstetrícia
    2018: nenhum leito de obstetrícia
    Ibirité
    2012: 19 leitos de obstetrícia
    2018: 15 leitos de obstetrícia
    Matozinhos
    Hospital Wanda Andrade Drummond

    2012: 5 leitos de obstetrícia
    2018: nenhum leito de obstetrícia

    Nova Lima

    Hospital Nossa Senhora De Lourdes

    2012: 5 leitos de obstetrícia
    2018: 4 leitos de obstetrícia
    Vespasiano
    2012: 10 leitos de obstetrícia
    2018: 9 leitos de obstetrícia

    Lagoa Santa

    2012: 16 leitos de obstetrícia
    2018: nenhum leito de obstetrícia

    De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, Minas Gerais perdeu quase 16% dos leitos no Sistema Único de Saúde (SUS), nos últimos dez anos. Só em obstetrícia e cirurgia, a redução foi de 398 vagas.

    Josiane Lourenço Macedo, grávida de sete meses, está ansiosa pela chegada de Manuela, sua segunda filha. “Eu agora tenho um convênio. Mas no Hospital Santa Fé, que fica em Belo Horizonte. O meu pré-natal está sendo feito todo lá. Eu tenho carro, mas aí racho a gasolina com a minha cunhada que também está grávida e mora aqui em Santa Luzia. Só assim, né?”, contou ela.


    A cunhada de Josiane, Jéssica Camponez Apolinário, está perto de completar oito meses de gravidez e espera pela primeira filha. “Eu também consegui um convênio no Santa Fé. Mas se tivesse um hospital aqui na cidade, seria a melhor coisa do mundo. Uma vez eu passei mal e fui no posto de saúde. A atendente disse para mim que seria a primeira e a última vez porque eles só fazem o pré-natal”, contou ela.

    Francislene Aparecida de Souza faz o acompanhamento no posto de saúde de Santa Luzia. Grávida pela segunda vez, ela espera ganhar o bebê na Maternidade Odete Valadares, também em Belo Horizonte.

    A Prefeitura de Santa Luzia assinou um decreto em setembro que determina a requisição do prédio que abriga o Hospital São João de Deus. O objetivo é restabelecer o atendimento. Porém, ainda não há prazo para que ele seja reaberto.

    A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou em nota que "a redução de leitos obstétricos é um fato identificado em todo país, tanto na rede pública quanto na rede privada, conforme dados do Ministério da Saúde". A pasta disse ainda que "embora não seja possível afirmar diretamente o motivo, podemos apontar algumas causas como a mudança do perfil demográfico e epidemiológico da população, financiamento do SUS, dificuldade de contratação, entre outros".

    Fonte: G1

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