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    Santa Luzia é a 5ª cidade do estado em nº de casos de violência contra mulher


    Levantamento com base em dados do TJMG se refere a Santa Luzia e nove das principais cidades da RMBH

    Com 3.215 Processos em andamento por violência contra a mulher, Santa Luzia é a quinta cidade do estado em número de processos, perdendo apenas para BH (22.497), Contagem (4.381), Neves (3.719) e Betim (3.504).

    As estatísticas são impressionantes, já que o volume dá cerca de quatro processos por dia. Segundo o advogado de família e professor da Fumec, Rachid Silva, o número de processos se mantém estável, porém há uma maior conscientização por parte das mulheres que se familiarizaram com a questão da violência. Segundo Rachid, as vitimas tem perdido o medo e visto que não é normal sofrer uma agressão.

     Subnotificação

    Apesar de considerar grande o número de ações, a delegada Danúbia Quadros, chefe da Divisão Especializada no Atendimento à Mulher, ao Idoso e à Pessoa com Deficiência de BH, acredita que as denúncias são poucas, comparado-se ao universo de violência sofrida pela mulher, pois muitas vítimas não denunciam seus agressores.

    Segundo Danúbia, em BH, 60% dos casos de violência doméstica são agressões físicas: “As mulheres que sofrem agressão estão em todos os níveis sociais e faixas etárias. O que acontece é que, muitas vezes, essa violência fica escondida, velada. Quando a vítima percebe já virou agressão física. Na maioria dos casos, a violência vem de quem ela mais ama, o companheiro”.

    Medida protetiva nem sempre funciona

    Há dois meses, a vendedora Valéria*, 34, solicitou na Justiça medida protetiva contra o ex-marido. Por mais de dez anos, ela e os três filhos conviveram diariamente com ameaças, xingamentos e agressões físicas. Apesar da conquista, Valéria é obrigada a encontrar seu agressor todos os dias. Ele mora na mesma rua que ela. “Só queria não ter medo e seguir minha vida”, desabafou.

    De acordo com o advogado de família Rachid Silva, o grande problema dos processos em tramitação na Justiça é que nem sempre as ações são eficazes. “As medidas são boas e, muitas vezes, saem rapidamente, se considerarmos o plano formal. O problema é que muitas coisas ficam somente no papel. Tem determinação, mas não tem fiscalização se, de fato, isso é cumprido”, pontuou.

    Para a delegada chefe da Divisão Especializada no Atendimento à Mulher, Idoso e Pessoa com Deficiência em Belo Horizonte, Danúbia Quadros, o problema ocorre pela dificuldade de se interromperem laços entre vítimas e agressores. “Muitas mulheres voltam para o companheiro por dependência psicológica, financeira, até mesmo em razão dos filhos. É um ciclo de dependência e violência, por isso muitas desistem de levar adiante o processo e acabam perdoando. Mas é preciso entender que isso não é amor”, advertiu.
    *Nome fictício

    Comarcas

    Justiça. Minas Gerais possui 267 comarcas, de acordo com o Tribunal de Justiça. São 586 cidades das 853 no Estado que não têm fórum próprio. No entanto, segundo o órgão, nenhum município mineiro fica sem atendimento jurídico, pois os casos são remetidos a varas de outras cidades próximas.

    Minientrevista

    Danúbia Quadros
    Delegada de atendimento à mulher de BH
    Quais são os principais casos de violência doméstica em Belo Horizonte?
    A maior parte é de violência física, cerca de 60%, lesão corporal e agressão, seguida de violência psicológica e crime de ameaça.
    Qual é o principal desafio nesses casos?
    A subnotificação. Muitas mulheres não pedem ajuda porque não acham que é crime. Com isso não conseguimos combater a violência desde o início e vira um ciclo de violência. Muitas mulheres desistem do procedimento, algumas conseguem medida protetiva, mas não ficam longe de seu agressor muitas vezes pela dependência financeira e emocional. No âmbito de investigação, é difícil conseguir testemunhas.
    O que precisa ser feito?
    A mulher tem que tomar providências desde o primeiro sinal de violência. Falar do tamanho da roupa, ciúmes, isso não é demonstração de amor. Não tem que esperar acontecer um xingamento mais agressivo ou uma agressão. O problema é que é um ciclo. O agressor se diz arrependido, mas, pela experiência, digo que não vale a pena a vítima tentar esse relacionamento novamente. Vai ser questão de prazo para a violência voltar. Muitos dos agressores têm problemas com álcool e droga, então têm outras questões envolvidas nesse tipo de violência.

    Fonte: O Tempo

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