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    MP investiga uso de containers como sala de aula em Santa Luzia


    O Ministério Público de Minas Gerais abriu inquérito para investigar a denúncia de que as estruturas metálicas similares a containers usadas para abrigar salas de aula em seis escolas municipais de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, não seriam adequadas para atender alunos e professores.

    Desde o início do ano, mais de 50 estruturas metálicas, chamadas de módulos educacionais, foram instaladas em seis escolas de Ensino Fundamental do município. Segundo a Secretaria Municipal de Educação de Santa Luzia, as estruturas foram usadas para resolver uma demanda de 1500 vagas na cidade.

    Uma professora, que pediu para não ter o nome publicado, conta que a novidade não agradou aos profissionais de ensino. “São estruturas muito pequenas, insuficientes para abrigar 20 alunos e a professora. Além do calor intenso, temos de lidar com um barulho ensurdecedor. Qualquer passo que um aluno dá dentro de sala de aula reverbera muito”, relata a professora.


    No pátio

    Em algumas escolas, os módulos foram colocados no pátio e tomaram o espaço que antes era usado, no recreio, pelas crianças para brincar. Um exemplo foi a Escola Municipal Sinhá Teixeira da Costa, no bairro São Geraldo, onde árvores e mesas com tabuleiros de damas teriam sido retiradas para dar espaço às novas salas de aula. “Os meninos só podem usar a quadra na educação física. Então as crianças ficaram sem espaço para brincar no recreio. E elas precisam de gastar energia, se não ficam muito agitadas na sala de aula”, avalia a professora, acrescentando que os módulos foram apelidados de “caixote” por alguns profissionais.

    Segundo ela, a maioria das profissionais concursadas não aceitou ministrar as aulas dentro das novas estruturas. Então, boa parte das turmas escolhidas para ficar nos módulos são atendidas por professoras contratadas. “Elas não têm direito de escolha”, diz.

    Ana Luisa Sousa, de 8 anos, é uma das crianças que estudam nos módulos da escola Sinhá Teixeira da Costa. Para ela, a sala de aula nova não é um incômodo, é apenas “apertada”. Já sua vizinha, Lívia de Souza, de 9 anos, não gostou de perder o espaço do pátio. “Às vezes, a gente corre no recreio e bate nas salas”, conta.


    De acordo com o secretário municipal de Educação de Santa Luzia, Mozart Grossi, as estruturas não podem ser chamadas de containers. “São módulos educacionais, fabricados para serem sala de aula. Tais módulos nunca carregaram carga, nem foram elaborados para tal. Todos os módulos são certificados por engenheiros”, afirma. Segundo ele, a novidade foi plenamente aceita pela comunidade escolar, pois mais de mil alunos estavam sem vagas na rede municipal.

    O secretário diz ainda que os módulos foram instalados “a título de empréstimo e, como (o uso das estruturas) atendeu às expectativas, haverá abertura de processo licitatório para aquisição”. O valor investido não foi informado. Ele garante que o equipamento possui isolante térmico, acústico e anti-incêndio.

    Além da Sinhá Teixeira da Costa, os módulos foram usados nas escolas municipais Dr. Oswaldo Ferreira, Santa Luzia, Marina Vianna de Castilho, Prof.ª Ceçota Diniz e Prof.ª Síria Thébit.

    Denúncia no MP

    Alguns pais e alunos não gostaram da novidade e levaram a questão até o vereador César Lara Diniz (PCdoB), que decidiu verificar se as críticas eram pertinentes. “Não posso criticar algo sem conhecer. Já tinha visto estruturas assim no Senai e gostado muito. Mas fui até uma escola municipal e não me deixaram entrar. Impediram um vereador de entrar num prédio público e isso gerou a denúncia ao Ministério Público”, relata o vereador.

    Segundo o secretário de Educação, o vereador não foi impedido de visitar a escola, pois teria tentado visitar a instituição em um dia em que não havia ninguém para acompanhá-lo no momento.


    Rapidez na montagem

    O uso da estrutura metálica retangular usada para containers em projetos arquitetônicos não é novidade. Até mesmo restaurantes e bares requintados têm feito essa opção. Postos de saúde e, até mesmo, cadeias foram montadas nessas estruturas em diferentes pontos do país.

    De acordo com Paulo Gustavo von Kuger, professor da escola de Arquitetura da UFMG, as estruturas possuem várias vantagens, como preço, rapidez na montagem e possibilidade de ser empilhada. “Por ser uma estrutura leve, demanda uma fundação mais simples”, explica o especialista.

    O sucesso da estrutura depende da adaptação feita. “Mas para ter conforto ambiental, é preciso haver um bom estudo de isolamento termoacústico. Por ser uma estrutura de aço, pode esquentar muito e se deve trabalhar um isolamento na cobertura. Um teto verde, por exemplo, aumenta a qualidade ambiental”, diz.

    Estruturas novas não são baratas, segundo o professor, mas aquelas já uadas como containers – com pequenas falhas que não comprometem a estrutura, mas impedem o uso para transporte – têm valores mais convidativos.

    Fonte: Hoje em Dia

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