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    Policial que matou mãe e filhas em Santa Luzia tinha histórico de agressividade


    Boletins de ocorrência mostram tentativa de suicídio pouco antes da prisão, briga com dois policiais militares e transferência de função.

    Um histórico de agressividade, desequilíbrio emocional e ameaça de suicídio marcou a vida do policial civil Paulo José de Oliveira, que na madrugada da última terça-feira (7) fugiu da prisão e matou uma mulher de 40 anos e suas duas filhas em Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte.

    Em seguida, deu fim à própria vida com um tiro na cabeça.

    O Portal R7 teve acesso a seis boletins de ocorrência registrados pela Polícia Militar contra Oliveira em diferentes casos.  O último é a que trata dos homicídios de Luciana Carolina Petronilho, de 40 anos, e das filhas dela, Nathalia, de 18, e Victoria, de 15.

    As mortes foram motivadas por vingança: Oliveira havia sido condenado a 31 anos e seis meses de prisão por estuprar as irmãs de 18 e 15 anos. Ele negava ter praticado os crimes.

    Oliveira estava na corporação em 2009, quando concluiu o curso na academia da Polícia Civil. Em quase uma década, foi promovido a investigador nível 2. Era lotado na 3ª delegacia de Santa Luzia, cidade  onde residia com a esposa, que é enfermeira, e duas filhas, de 7 e 5 anos.

    A casa da família, no bairro Frimisa, está a cerca de 1,5 quilômetro de onde as vítimas residiam, no alto do Monte Carlo.

    Autor e vítimas eram amigos de longa data. Tanto que as três mulheres já frequentaram o sítio de Oliveira, no município vizinho de Lagoa Santa, onde o investigador gostava de receber colegas. Também de jogar carteado, sobretudo truco, e assistir aos jogos do Cruzeiro. Adorava festas.

    Oliveira completou 40 anos seis dias antes de apertar o gatilho contra as mulheres. Passou o aniversário na Casa de Custódia da Civil, a prisão construída no bairro Horto, na região leste de Belo Horizonte, para abrigar policiais já condenados ou à espera de sentença judicial criminal.

    Era o caso do investigador, preso em julho de 2017 sob a acusação de estuprar as irmãs. A sentença que o condenou a 31 anos e seis meses de prisão foi proferida pela juíza Elaine Campos Freitas na sexta-feira passada. A magistrada negou-lhe o pedido de recorrer em liberdade para "preservar a segurança das vítimas". Não adiantou.

    Três dias depois da condenação, o investigador fugiu da prisão, conseguiu uma pistola e matou as mulheres. A Corregedoria da Civil investiga como Oliveira deixou a Casa de Custódia — se chegou a Santa Luzia com a ajuda de outra pessoa e como adquiriu a arma usada naquela madrugada.

    Agressivo

    O enredo macabro carece de muitas respostas ainda. Um agente conta que Oliveira já havia ameaçado as vítimas.

    Era um policial problemático. Já foi detido por outras confusões.

    A primeira delas foi em 5 de maio de 2013. O boletim de ocorrência da Polícia Militar informa que o investigador furou a fila no caixa da padaria e foi advertido por uma sargento, que aguardava a vez de pagar uma compra. Irritado com a militar, Oliveira respondeu:

    Quem é você? Está achando que é quem com essa fardinha de merda?

    A policial solicitou reforço e o investigador foi detido e conduzido a uma delegacia em Santa Luzia.

    Oliveira gostava, segundo outros investigadores, gabar-se de ser um Don Juan. Quem se recorda é um agente que prefere o anonimato:

    Cantava mulheres na rua até dentro da viatura. Assediou uma escrivã. Era mesmo problemático. Ameaçou suicídio.

    A ideia de tirar a própria vida ocorreu três semanas antes de ser preso pelo crime de estupro. Em 3 de julho de 2017, militares relataram que se depararam com um carro numa estrada de chão da região. Dentro do veículo estava o policial civil:

    Quando paramos a viatura, o investigador já desceu com a arma apontada em direção à [própria] cabeça. [Estava] muito nervoso, falando que sua vida não tinha mais sentindo, que aquele seria seu último dia.

    Os militares acionaram o chefe do investigador, que foi ao local e conseguiu tranquilizá-lo. Ainda transtornado, Oliveira desistiu de apertar o gatilho contra a cabeça naquele dia.

    Transferência

    À época, devido à denúncia dos estupros, o investigador seria transferido para a cidade de Taiobeiras, no norte de Minas Gerais, a 780 quilômetros de Santa Luzia, como recorda outro policial civil que não deseja ter a identidade revelada.

    Ele seria examinador do Detran-MG (Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais) de lá. Mas nem chegou a se apresentar no norte do Estado, porque foi preso antes.

    Oliveira foi detido em casa em 24 de julho de 2017. Não ofereceu resistência. Nove meses depois, ao saber da condenação, fugiu da Casa de Custódia para se vingar do que acreditava, segundo vizinhos, ser uma armação das vítimas.

    O investigador chegou à casa das mulheres no início da madrugada. Arrombou o portão de ferro e estourou a porta da cozinha. Vizinhos contam que ouviram uma gritaria. Apavorados, acionaram a PM.

    Alguns saíram à rua na tentativa de socorrer as vítimas, como recordou um rapaz.

    Você não sabe o drama de a gente ouvir gritos de socorro, barulhos de tiro... Está todo mundo chocado, assustado.

    Procurado, o advogado que defendia o investigador, Euler Gonçalves da Silva, optou por não conceder entrevista sob a justificativa de que o caso continua em apuração pela Divisão de Homicídios.

    A reportagem do R7 foi à residência de famíliares de Oliveira em Santa Luzia, mas os parentes viajaram.


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