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    Grupos põem fogo em ônibus e dizem que 'vão incendiar a cidade'


    Quatro ônibus foram incendiados em menos de oito horas em Belo Horizonte e Contagem, na região metropolitana. Em um dos crimes, bandidos ameaçaram "incendiar a cidade". Três desses ataques ocorreram nessa quarta-feira (27), sendo o primeiro na avenida Olinto Meireles, na região do Barreiro.

    De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, o motorista da linha 7100 (Novo Riacho / Flavio Marques Lisboa) contou que parou em um ponto para o desembarque de passageiros quando dois homens entraram no coletivo . Um deles, armado, ordenou que os ocupantes desembarcassem e atearam fogo no veículo usando duas garrafas de gasolina. Após o crime, a dupla fugiu em um Fiat Palio de cor branca.

    Cerca de cinco horas depois, um segundo ônibus foi queimado dessa vez no bairro Goiânia, na região Nordeste de Belo Horizonte. O coletivo da linha 5503 B  (Goiânia / Centro) foi parado por cinco criminosos, sendo que um deles atravessou uma moto na frente do veículo para impedir a passagem. O modo de agir foi parecido ao caso do Barreiro. Com um dos vândalos armado, o grupo ordenou que todos desembarcassem.

    Um vídeo feito por uma moradora que não quis ser identificada mostra o coletivo sendo destruído pelas chamas. Confira:



    No entanto, antes que o motorista saísse, um dos suspeitos entregou um bilhete em que estava escrito que o ato era uma forma de reivindicação, uma vez que detentos estão sendo oprimidos no Presídio Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, na Grande BH. Segundo esses homens, os detentos estão sendo agredidos e não têm os direitos respeitados.

    Ainda no papel estava escrito que, caso o diretor da Dutra, Rodrigo Machado e o Estado, não tomem nenhuma providência, eles vão incendiar a cidade. A ocorrência foi encerrada na Central de Flagrantes I. No local, o fogo atingiu um poste de madeira, deixando cinco famílias sem energia. A Cemig já está no local para tentar solucionar o problema causado pelas chamas.

    O terceiro ônibus incendiado foi no bairro Jardim Riacho das Pedras, em Contagem. O veículo da linha 1310 (Sol Nascente / Belo Horizonte) teve os bancos danificados, mas o incêndio foi controlado rapidamente com o usos dos extintores. Três homens participaram da ação.

    Já nesta quinta-feira (28), militares da Polícia Militar Rodoviária foram acionados devido a um incêndio em ônibus no Anel Rodoviário, na altura do bairro Betânia, na região Oeste de Belo Horizonte. A ocorrência ainda está em andamento.

    Em todos os casos, ninguém ficou ferido e nenhuma criminoso foi preso. A Polícia Civil deve começar a investigar os casos ainda nesta manhã. Caberá à corporação verificar se os crimes têm algum tipo de ligação.

    Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) informou que não é possível estabelecer relação entre o fato ocorrido e o sistema prisional, até que a Polícia Civil conclua as investigações criminais"


    Ainda conforme a pasta, as denúncias formalizadas são "devidamente apuradas e tomadas às providências necessárias, observando normas e preceitos legais pertinentes, a exemplo do amplo direito de defesa e do contraditório".

    20º ônibus queimado em BH

    Com outros dois coletivos de Belo Horizonte sendo incendiados nesta quinta, o número de veículos queimados em 2017 chegou a 20. Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH), o número é 2,5 vezes superior ao registrado em 2016, quando oito veículos foram parcialmente ou totalmente destruídos por incêndios criminosos na capital.

    "As queimas de ônibus prejudicam os usuários das linhas com a redução forçada temporária de veículos em circulação. Nos cálculos do SetraBH, um veículo queimado ou depredado deixa de atender, em média, a cerca de 500 usuários por dia útil. Os atos de vandalismo também oneram o sistema de transporte coletivo e sua operação, ao reduzir a capacidade de reinvestimento dos consórcios, que não possuem seguro contra ações dessa natureza", diz o sindicato.

    Ainda conforme o órgão, cada coletivo incendiado deve ser substituído, o que demanda tempo para que se faça a cotação de preços no mercado e a aquisição de veículo novo. "Além disso, deve ser considerado o tempo necessário para a entrega do veículo pelo fabricante, para a instalação da tecnologia exigida pela BHTrans, e para a sua vistoria e emplacamento pelo Detran", completa o Setra.

    Com isso, cada ônibus queimado significa, além do prejuízo de R$ 400 mil, um veículo a menos na linha por pelo menos 180 dias.


    Fonte: O Tempo

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