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    Rodap deverá extinguir Profissão de Cobrador em Breve


    Desde a implantação dos terminais provisórios e permanentes em Santa Luzia, as linhas alimentadoras tiveram seus itinerários reduzidos drasticamente. Com a "novidade" as empresas de ônibus começaram um processo de demissão de cobradores nestas linhas com o argumento de redução de custos. 
    Carlos Norris

    Houve um projeto apresentado na câmara municipal para tentar barrar a decisão, mas até o momento não surtiu o efeito desejado, já que envolvia apenas nas linhas Municipais (que circulam somente dentro da cidade e não incluíam as alimentadoras).

    Segundo a Rodap, a empresa optou por não mais contratar cobradores, evitando assim mais demissões dos profissionais que ainda atuam na cidade. A ideia é qualifica-los para que assumam a função de motoristas, afinal a frota e a demanda tem crescido, mesmo com as imposições do DER (Que determina o nº de coletivos que podem circular na Região Metropolitana de Belo Horizonte).

    Ainda segundo a empresa, o cobrador presta um serviço ao usuário do ônibus, principalmente para quem usa dinheiro para se locomover. O problema é que, com o avanço da tecnologia, esse benefício está ficando cada vez menor. Hoje, em Santa Luzia, quase todo mundo usa o bilhete único para se locomover. Para quem não conhece, o bilhete único (Cartão ótimo) é um cartão magnético no qual a pessoa carrega créditos. Quando usa o ônibus, o passageiro aproxima o cartão de um sensor que libera a catraca, ao mesmo tempo que debita do cartão o valor da passagem. O cobrador não interfere em nada nessa operação.

    Estima-se que hoje apenas 6% dos usuários de transporte público paguem a passagem com dinheiro. Trata-se, assim, de um serviço muito caro para atender muito pouca gente.

    Claramente, os custos não compensam os benefícios; seria melhor acabar com a função do cobrador. Para não sobrecarregar o motorista (que precisaria trocar o dinheiro de quem não usa o Cartão Ótimo), poderíamos pensar em alternativas, como a venda de passes em bancas de jornal, supermercados, padarias etc.

    É óbvio que não é uma boa estratégia dispensar imediatamente todos os cobradores, sobretudo em um momento como este, em que a taxa de desemprego supera os 10%. Tais pessoas teriam muita dificuldade em se recolocar, o que seria particularmente custoso. E podemos esperar batalhas intensas na Justiça caso as empresas de ônibus optem pela demissão em massa. Por isso a empresa alegou que ter tomado a atitude de não mais contratar cobradores. Com isso a Profissão, ao longo do tempo deve ser gradualmente extinta, dando lugar ao cargo de Motoristas. Com o treinamento dos cobradores para o cargo de Motorista, o indivíduo (profissional) ganharia, pois, além de agregar em seu curriculum mais uma profissão, ainda ganharia mais.

    Por outro lado, alguns profissionais alegaram que a Empresa (Rodap) não possui um programa de incentivo aos profissionais que desejam permanecer na empresa e que ainda não possuam a carteira E. A empresa não custeia a aquisição da carteira de motorista categoria E. Caso o profissional queira migrar deverá bancar com este custo que atualmente gira em torno de R$ 5 mil.

    A Rodap alega que não tem como custear a aquisição de carteira para todos os profissionais que aguardam pelo benefício. Alega ainda que os subsídios oferecidos pela Prefeitura e pelo Estado não são suficientes para bancar uma qualificação e que os custos de um projeto como este cairiam nas contas da empresa.


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