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Outubro Rosa no Vitrine: 'Eu me reencontrei como mulher', diz pedagoga que venceu câncer de mama

Além da cura, Vera Lúcia, de 69 anos, tem muito pelo o que agradecer: do nascimento da bisneta à descoberta de um novo amor

Encontrar um novo amor após vencer o câncer de mama foi mais uma dádiva a compor a lista de agradecimentos da secretária escolar Vera Lúcia da Cunha, que está prestes a completar seus 70 anos de vida em outubro, mês marcado pela conscientização da enfermidade contra a qual lutou há 11 anos. Ao lado do namorado, José Antônio de Oliveira, de 64 anos, com quem ama passear de moto, ela salientou ter se reencontrado como mulher e frisou a importância de estar em um relacionamento, independentemente da idade. Emocionada ao revelar as palavras de Antônio quando soube que ela havia retirado uma das mamas, Vera não conteve as lágrimas: "Olha, você, para mim, não vai ser só um peito. Você vai ser uma mulher".

— Eu me reencontrei como mulher, apesar de ser mastectomizada. Isso não me impediu de amar. E eu não fiz reconstrução mamária — disse Vera, explicando que, como ocorreu tudo bem na operação, "por que eu iria mexer em uma coisa que não estava me incomodando e que nunca me incomodou?": — Eu aconselho todo mundo a, quando estiver sozinho na terceira idade, procurar um relacionamento, porque é muito bom para a gente. Tanto para homem quanto para mulher.


Para conversar com a equipe do portal O Globo, a funcionária pública não hesitou em vestir uma blusa rosa para combinar com o tema da entrevista. Dona de uma tatuagem em formato de um laço da mesma cor na perna direita, ela contou que manteve sua determinação em refazer o ensino médio ainda depois de ter recebido o resultado da biópsia, no final de 2005 — mais precisamente, na antevéspera de Natal.

— Fui refazer o meu ensino médio, que eu já tinha feito no Pedro II, porque já havia muitos anos que eu não estudava. E eu não parei de estudar. Continuei. Fiz o meu tratamento todo e fiquei naqueles meses indo ao médico, fazendo acompanhamento. Eu sempre fui muito segura. Eu corro atrás. Não tenho medo, sabe? Eu encaro as coisas normalmente — contou a secretária escolar.

Depois de passar pela mastectomia radical, durante o carnaval de 2006, ela seguiu com os estudos, prestou vestibular em 2008 e ingressou no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (Iserj). A licenciatura em Pedagogia foi concluída em 2012, juntamente com uma aprovação de concurso para a Prefeitura do Rio de Janeiro.


Foi necessário mais tempo, porém, até Vera se abrir à possibilidade de um novo relacionamento. Quando tornou-se viúva, em 2009, ela disse ter se fechado nesse quesito. No entanto, quanto aos estudos, sequer pensou em desistir.

— Meu marido faleceu de repente, mas continuei a fazer minha faculdade. Eu sei que ele não ia gostar que eu parasse por causa disso — afirmou.


Um ano antes de concluir a faculdade, Vera já atuava como funcionária pública, pois havia sido chamada para trabalhar no cargo de agente educador II, com funções correspondentes às de inspetor de alunos. Mas ela não se acomodou. Perseverou nos estudos, seguindo incentivos das amigas da faculdade. Dessa forma, ao final de 2011, prestou concurso para o cargo público que ocupa atualmente em uma escola municipal do Rio.

— Eu cheguei (na escola) um pouco fechada, sabe? Existia uma armadura. Eu achava que eu tinha ficado viúva e, para mim, tinha acabado essa minha fase de relacionamento com outra pessoa. Quando, para minha surpresa, eu fiz um perfil em um site de relacionamento na internet e conheci o meu namorado, em 2013. Nós já estamos juntos há quatro anos. E eu digo que ele não é meu namorado, é meu "namorido" — disse Vera, em meio a risadas, esbanjando seu bom-humor, enquanto explicava que criou o perfil na web com o apoio das colegas da escola: — Eu me tornei uma outra pessoa depois que eu comecei a namorar.


A descoberta do câncer de mama, após um exame de rotina que mostrou a existência de nódulos suspeitos, foi o início de uma trajetória de luta da qual a carioca se orgulha e que vai muito além da mudança no corpo a que ela foi obrigada a passar devido à cirurgia. Outra marca, dessa vez proposital, sua tatuagem, foi feita estrategicamente na batata da perna para cobrir uma mancha causada por queimadura de moto.

Vera também disse gostar de pintar o cabelo de cores diversas, inclusive rosa. Na maior parte do tempo, contudo, ela prefere deixá-lo ao natural, grisalho — diferentemente do período da quimioterapia, quando sofreu perda dos fios. Sobre essa questão, ela frisou o fato de fazer parte da Fundação Laço Rosa, que, entre as ações a que se propõe, disponibiliza perucas para mulheres que não têm poder aquisitivo para adquirir uma por conta própria.

— É um trabalho muito bonito. Para participar, é preciso se inscrever no site — explicou.

Hoje em dia, uma da palavras mais queridas de Vera é gratidão:

— O que eu aprendi disso tudo foi a dar mais valor à minha vida, agradecer a Deus, não pedir mais, porque tudo o que eu queria, ele já me deu: meu trabalho, minha casa, minha família. Eu, quando era mais jovem, queria ser mãe. Fui mãe de um casal de filhos. Depois, eu queria ser avó: tenho três netos lindos. Já não pedia mais nada a Deus, e ele me agraciou com uma bisneta, coisa que eu nunca pensei de ver na minha vida, e Deus estava me dando essa oportunidade.


O pensamento positivo também nunca ficou de lado.

— A gente não tem uma explicação do por que (o câncer) acontece com a gente. A gente tem buscar que uma força interior que eu não sei explicar de onde vem. Eu acho que deve ser uma força divina. Eu acredito na força divina — disse Vera, destacando também o poder do pensamento positivo: — Então, eu pensei muito, eu refleti muito. E eu comecei a ver a minha vida de uma outra maneira — concluiu.

Fonte: O Globo

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