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A cada hora, pelo menos dois veículos são roubados em BH, muitos desovam em Santa Luzia




Por quase cinco meses, Helenice não conseguia mais dirigir. O trauma começou em dezembro do ano passado. Era dia. Ela passava de carro com a mãe pela rua Mandacarú, na região da Pampulha, quando três homens armados saíram de um veículo e anunciaram um assalto. Na calçada, em estado de choque, conseguiu ligar para o marido, Jaime de Oliveira. Minutos depois, a Polícia Civil foi acionada. “Peguei uma moto e tentei ir atrás do carro. Tinha um equipamento antifurto, que não foi localizado pelos criminosos”, contou o gestor de recursos humanos. O Gol foi abandonado pelo trio na orla da Lagoa da Pampulha, intacto.

E nem todas as vítimas têm essa sorte. De acordo com dados do Detran (Departamento de Trânsito), de janeiro a abril deste ano foram registrados 5.535 roubos e furtos em Belo Horizonte – desse total, pouco mais de 2,8 mil foram recuperados. Na comparação com o mesmo período de 2015, os números mostram um crescimento de 17,8% nos registros.  “Aumentaram os números, mas isso não quer dizer que esses crimes tenham crescido. Uma coisa que ninguém avalia é a quantidade de golpes, que fazem parte da estatística e voltaram a subir”, argumentou o delegado Cláudio Utsch, coordenador de Operações Especiais do órgão.

Conforme o dirigente, as áreas mais críticas na capital são as regiões Noroeste e Leste, com destaque também para a Pampulha e alguns bairros da Centro-Sul. “O horário de pico das ocorrências é entre 13h e 21h. E o interessante é que os crimes acontecem principalmente durante a semana, à luz do dia. De sexta a domingo, há um redução significativa”, apontou.

Mercado paralelo

Com pelo menos duas ocorrências por hora na cidade, o delegado explica que o mercado paralelo de peças e equipamentos de veículos motiva a maioria dos crimes. “A maior demanda é para o desmanche, principalmente dos veículos mais antigos. Os carros podem ser desmanchados para utilização das peças ou mesmo legalizar um veículo que deu perda total”, contou. Ainda há casos de clonagem de placas, chassi e até de documentos. “No Detran de São Paulo, por exemplo, foram roubados muitos documentos de trânsito. As vezes, algumas ocorrências acontecem em Minas. Recentemente, foi registrada uma em Santa Luzia”.

A falta de efetivo do Detran impossibilita ações de combate às ocorrências em tempo integral. “No passado, existia uma ronda que atendia todos os registros da capital. Quando um carro era encontrado, a equipe do Detran ia até o local, avaliava a necessidade de perícia e dava as providências iniciais. Porém, os recursos humanos foram ficando escassos, principalmente a partir de 2007. Não tivemos a reposição necessária nos anos seguintes. Só houve melhora no ano passado com a nomeação de mil investigadores”, revelou o delegado. E desde abril, foram reimplantadas operações pontuais da corporação, que já resultaram na prisão de mais de 15 pessoas. “Começamos a partir de um episódio que envolveu um policial da delegacia de furtos e roubos. Ele foi baleado por engano durante uma investigação no bairro Santa Cruz, região que concentra grande parte dos criminosos”, contou.

Enquanto isso, milhares de belo-horizontinos sofrem com a falta de segurança pública até mesmo dentro de seus carros. “A minha esposa ficou bem traumatizada. Na primeira vez que passou pelo local depois do crime, não conseguia parar de chorar. Há pouco tempo que ela conseguiu dirigir novamente”, comentou Jaime.

Reflexo no seguro

O diretor executivo da FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais), Julio Rosa, contou que o crescimento de furtos e roubos tem um reflexo no valor do seguro para veículos. “Com certeza tem um impacto. O valor do seguro varia de acordo com a região onde o segurado circula, se ele tem garagem em casa e no trabalho, se há apenas um condutor principal do veículo ou mais. É uma série de informações que servem para se calcular o valor do risco que aquele automóvel representa”.

Com valores a partir de R$ 30 por mês, a proteção veícular é uma das alternativas encontrados pelos motoristas aos altos preços dos seguros. Mas o diretor faz um alerta. “O seguro é um produto regulado por autarquia federal que estabelece regras para as operações das seguradoras. Na proteção veicular, nada disso existe. Não há nenhuma garantia de que essas associações ou cooperativas poderão honrar os compromissos assumidos em caso de sinistro”, completou.

Empresas de desmonte devem ser credenciadas

Em maio de 2015, foi sancionada no país a Lei do Desmonte, que regulariza a venda de peças usadas, com garantia do Inmetro, e o cadastramento das oficinas pelo Detran para a comercialização de componentes. O objetivo é reduzir o expressivo índice de roubos e furtos de automóveis no Brasil. E depois de mais de dois anos, o órgão mineiro publicou uma portaria sobre como vai ocorrer o credenciamento e regularização das empresas destinadas a desmontagem, reciclagem, recuperação e a comercialização de partes e peças de veículos no Estado.

“Cabe a coordenação de administração de trânsito e a delegacia de furtos e roubos de veículos fiscalizar a aplicação da lei. E ela será feita. Esperamos uma boa redução nos índices e o combate ao comércio clandestino de peças usadas”, finalizou Cláudio Utsch. 

Fonte: Metro Jornal

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