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    Professor de jiu-jitsu leva esporte a praça antes ocupada por drogados em Santa Luzia

    Leonardo de Avelar Freitas, 41 anos, dá aulas grátis de jiu-jitsu todas as segundas-feiras para crianças e adultos e é o responsável pela transformação.


    O esporte tem o poder de inebriar as pessoas. Bilhões acompanham diariamente as competições das mais variadas modalidades pelo mundo. Astros dos campos, das quadras, das piscinas e das pistas carregam legiões de fãs por onde passam e fazem contratos milionários a cada temporada. Mas existe um outro lado do esporte que não carrega o glamour das competições de alto rendimento, mas representa uma grande importância na vida de muita gente. É aquele que ensina crianças e jovens a trabalhar em equipe, a ter responsabilidade, disciplina, a pensar no futuro e a se esquivar das armadilhas que a vida coloca no caminho de cada um. Pensando nisso, e com um enorme sentido do que é responsabilidade social,  José das Graças Fernandes, Alexandre Maximiliano e Leonardo de Avelar Freitas oferecem essa oportunidade às comunidades dos bairros São João, em Betim; Vera Cruz, em BH; e Frimisa, em Santa Luzia, por meio do futebol e do jiu-jitsu. Conheça agora as histórias dos três abnegados que usam a essência do esporte para fazer o bem sem qualquer interesse.


    A dedicação de um professor de jiu-jitsu mudou a história da Praça Guilherme dos Santos, conhecida como Pracinha da Frimisa, em Santa Luiza, na Grande BH. O espaço, que antes era destino de bêbados e drogados, é ocupado agora pelo esporte. Leonardo de Avelar Freitas, 41 anos, dá aulas grátis de jiu-jitsu todas as segundas-feiras para crianças e adultos e é o responsável pela transformação. No total, são cerca de 80 alunos. E, como consequência, a comunidade voltou a ocupar a praça.

    Leonardo conta que sua história como professor começou quando uma sobrinha, Camila Avelar, lhe falou do projeto Segundo Tempo. “Eu já estava no jiu-jitsu e ela me contou que o projeto tinha adquirido um tatame, mas que não era usado. Fui então à sede do projeto e me ofereci para dar aula. Fui cara de pau, pois nunca tinha feito isso. Lá havia umas 100 crianças. E não é que comecei a dar as aulas?”, brinca. Mas o projeto não vingou.

    E na pracinha, Leonardo, que trabalha com transporte de carga, se revoltava quando via bêbados e drogados tomando conta do espaço. “As famílias não vinham aqui por causa dos frequentadores. Então, decidi que queria fazer alguma coisa. Pensei: só o esporte para acabar com drogas e bebidas. Decidi dar aula pra quem quisesse.”

    Conseguiu um aluno, depois outro e hoje são 40 meninos e meninas, além dos adultos. “Temos casos de mãe virem trazer o filho ou filha e pedir para que eu os aceite. Claro. Todos são bem-vindos. A minha exigência é que esse menino ou menina estude. Nisso sou rígido. É o preço que cobro”, diz.

    As aulas de jiu-jitsu na praça começaram a chamar a atenção e um amigo de Leonardo, o músico e designer Luiz Lacco, o procurou e disse que queria ajudar. “Ele disse que ia fazer um folder com os dizeres 'aulas grátis de jiu-jitsu na pracinha'. A ideia explodiu e precisei de gente para ajudar. Até hoje dependo de ajuda.”

    As placas do tatame foram ganhas e ficam guardadas na casa da mãe dele, que é próxima da pracinha. Os meninos vão chegando aos poucos, buscam as placas e levam até o local do treino. Cada um vem com três ou quatro na cabeça e depois ajuda a montar o piso.

    Um desses meninos é Vitor Hugo de Carvalho Almeida, o “Cebola”, de 11, que sente orgulho em dizer que está no projeto desde o início, há dois anos. “Foi minha mãe, Viviane Aparecida, quem me trouxe. Meus amigos quiseram vir também.”

    João Vitor Siqueira Soares, de 13, é um caso da paixão que o projeto despertou. Ele conta que começou a lutar na pracinha, mas que o pai foi transferido para trabalhar em Montes Claros e foi obrigado a abandonar o jiu-jitsu. “Lá eu lutava muay thai, mas não era a mesma coisa. Mas meu pai teve de voltar para Santa Luzia e eu fiquei muito feliz por retornar para cá, fazer o que gosto.”


    As meninas também são alunas exemplares. Nicole Rachid Silva, de 7, não se atrasa nunca para a aula. “Choro quando não tem aula ou quando minha mãe não pode me trazer.” Leonardo conta que numca ocasião a aula seria mais tarde e que Nicole se apavorou ao não encontrar os amigos e ele na pracinha. “Ela pensou que o projeto tinha acabado. Ficou desgostosa. Mas logo estava todo mundo aqui.”

    Para os pais, a segunda-feira é sagrada. O agente penitenciário Bruno Ribeiro, de 37, faz questão de acompanhar o filho, David Lucas, de 9, em todas as aulas. Foi ele quem o levou a treinar: “Eu já tinha lutado jiu-jitsu. Quando fiquei sabendo do movimento aqui na pracinha, achei uma boa ideia e resolvi trazer o David”.

    Marcos Getúlio Almeida Mota, de 46, é pai de três dos alunos: Cebola, Augusto e Alan. “Pra mim, isso aqui é tudo. Os meninos adoram. Não é só um local e a prática de um esporte. É um aprendizado, um lazer.”

    AJUDA

    Para manter seu projeto, o professor Leonardo depende de ajuda. Uma delas vem do Centro Comunitário Frimisa, que é frequentado por moradores do bairro e compra os quimonos para quem não tem condições financeiras de adquirir. Nos dias de chuva, para que os alunos não fiquem sem aulas, a Academia Stylus, que também fica no Bairro Frimisa, cede horários e espaço.

    Fonte: Superesportes

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