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Escrito por Moderador

Cerca de 700 PMs do Espírito Santo são indiciados por crime de revolta


Um grupo de 20 pessoas — mulheres e mães de policiais militares — acampam na noite desta quinta-feira em frente ao 28º BPM (Volta Redonda), no bairro Voldac. Elas reivindicam melhores condições de trabalho, o pagamento dos salários em dia e o depósito do 13º dos PMs. Apesar do protesto, os veículos da corporação circularam normalmente pela cidade. A intenção das manifestantes é impedir que os policiais trabalhem nesta sexta.

Na Região Metropolitana, mulheres estão se movimentando em Bangu e Niterói. No Espírito Santo, ato semelhante levou o estado ao caos, com mais de cem mortos, ônibus incendiados e saques ao comércio.

A pensionista Vanessa Lisboa Mauro Magalhães, viúva de um bombeiro, aderiu ao movimento em Volta Redonda:

— Na reunião que fizemos para organizar o protesto, recebemos mulheres de policiais militares dos batalhões de Angra dos Reis, Barra do Piraí, Resende e Três Rios. Elas farão a manifestação em suas cidades.

O comandante do 33º BPM (Angra dos Reis), tenente-coronel Luiz Cláudio Regis, disse que tentará conscientizar os policiais, alertando que a manifestação poderá ser prejudicial à segurança da população, principalmente no Rio de Janeiro, um estado com altos índices de criminalidade.

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Assim como Regis, o comandante do 28º BPM (Volta Redonda), tenente-coronel Damião Luiz Portella, disse que o quartel vai funcionar:

— Posso garantir que vamos trabalhar, porque o nosso compromisso é com a segurança da sociedade. Nunca vamos deixar de apoiá-la. Caso tentem impedir o nosso trabalho, vou negociar com os manifestantes.

Janete Moreira, mãe de um policial militar, disse que vai ficar na porta do batalhão de Volta Redonda para impedir a saída dos carros da PM. Segundo ela, os policiais querem receber seus salários para ter o que comer em casa.

Polícia diz que nº de responsabilizados deve ser ainda maior e secretário afirma que será necessário reconstruir a PM; pena pode chegar a 20 anos de prisão. Após o fracasso nas negociações com policiais militares do Espírito Santo, o governo capixaba decidiu endurecer com os PMs e com as mulheres líderes do motim. No total, 703 policiais militares já foram indiciados por crime de revolta, que é um motim realizado por PMs armados. A pena prevista para os policiais envolvidos pode chegar a 20 anos de prisão. As mulheres líderes do movimento também serão responsabilizadas pelos custos com a mobilização das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança.

"Está iniciado o processo de responsabilização, tanto no aspecto militar quanto criminal", declarou o secretário estadual de Segurança Pública do Espírito Santo, André Garcia.

Ele concedeu entrevista coletiva acompanhado dos comandantes da Polícia Militar, coronel Nylton Rodrigues, da Polícia Civil, Guilherme Daré, e de outras autoridades.

Rodrigues disse que "com certeza" o número de PMs indiciados "irá aumentar muito" ao longo do dia. Ele ressaltou que a maioria dos envolvidos são policiais de início de carreira. A patente mais alta já identificada é de subtenente. O coronel explicou ainda que todo crime que envolve policial militar e que é punido com mais de dois anos de prisão é automaticamente expulso da corporação.

"Criamos uma força-tarefa na Corregedoria para dar celeridade, com isenção e sem perseguição, nos procedimentos", declarou André Garcia. "Quem for indiciado daqui para frente, ou for iniciado um processo administrativo, terá seu ponto cortado desde sábado. Do sábado para frente, a folha da Polícia Militar está bloqueada."

Os PMs também não terão férias no momento. "Estão suspensas as férias porque estamos diante de um quadro configurado como crime, motim."

Reconstrução da PM. O secretário falou em reconstruir a PM. "É preciso que a gente reconstrua uma nova Polícia Militar. Vai ser pedra sobre pedra. Vamos reconstruir uma polícia que não volte suas costas para a sociedade", afirmou Garcia. "Torna a sociedade refém da criminalidade, tendo como pano de fundo interesses meramente corporativos."

Garcia também afirmou que as mulheres líderes do movimento serão responsabilizadas. "Estamos identificando com imagens, e diversas já foram identificadas. As imagens serão encaminhadas para o Ministério Público Federal, que solicitou a identificação das responsáveis por esse movimento", disse. "Elas serão responsabilizadas pelos custos das Forças federais mobilizadas: as Forças Armadas e a Força Nacional de Segurança."

ENTENDA A CRISE NO ESPÍRITO SANTO

Familiares e amigos de policiais militares no Espírito Santo começaram, na noite de sexta-feira, 3, a fazer manifestações impedindo a saída das viaturas para as ruas e afetando a segurança dos municípios.  Sem reajuste há quatro anos, os PMs reivindicam aumento salarial e melhores condições de trabalho.

O motim dos policiais levou a uma onda de homicídios e ataques a lojas. Com medo, a população passou a evitar sair de casa e donos de estabelecimentos fecharam as portas. Os capixabas já estocam comida.

Na segunda-feira, 6, a prefeitura de Vitória suspendeu o funcionamento das escolas municipais e de  unidades de saúde.

Também na segunda, o governo federal autorizou o envio da Força Nacional e das Forças Armadas para reforçar o policiamento nas ruas de cidades do Espírito Santo. Apesar do reforço, o clima de tensão se manteve no Estado.

A morte de um policial civil na noite de terça-feira, 7, motivou uma paralisação da categoria na quarta, agravando ainda mais a crise de segurança no Espírito Santo.

Para tentar conter o motim, o governo criou na quarta-feira, 8, um comitê de negociação com representantes do movimento que impede a saída de policiais militares dos batalhões das principais cidades do Estado.

Fonte: Estadão

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