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Olímpíadas x Brasil

A euforia dos jogos olímpicos no Brasil da lugar a sensação de dever cumprido, nós brasileiros pessimistas por natureza, devido ao histórico de mazelas que assolam  o país, temos que reconhecer o mérito. 
Autor: Vilmar Geraldo Lemos Gaspar




Não houve manchas que pudessem ofuscar o brilho das Olimpíadas douradas. Nada é 100% perfeito, não foi no Rio, e também não fora nas outras edições dos jogos olímpicos. Por isso o clichê é sempre rememorado. “O legado que os jogos vão deixar”.  O comportamento do público brasileiro foi lastimável, incompatível com o ideal do evento, a celebração do esporte, dos povos, simbolizado pelos cinco anéis, que representam os cinco continentes.

Torcer e incentivar os atletas brasileiros, é de suma importância, o que não justifica vaiar os outros atletas, principalmente em competições individuais, sobretudo, aquelas que a concentração é imprescindível, em esportes de muitos detalhes, como Tênis, atletismo, Bady Minton e tênis de mesa.

 Além disso, a inacabável e futebolística rivalidade, (brasileiros x portenhos), deu o ar da graça. Os cânticos exaltados, bem humorados, às vezes ofensivos, de “Maradona é melhor do que Pelé”,  “mil gols , só Pelé tem mil gols”, conseguiram  ir além das provocações. Uma partida de Tênis precisou ser interrompida, para separar dois brigões, ( um torcedor argentino e um brasileiro). Ainda bem que temos esportistas sensatos, atletas brasileiros, e argentinos , já haviam advertido sobre o comportamento errado da torcida, e fizeram uma demonstração de como deve ser o respeito entre os dois países. No jogo de basquete entre Brasil e argentina, que se temia um clima hostil entre os torcedores, o destaque foram os atletas que entraram em quadra juntos, trocando as bandeiras, e exaltando o respeito para com o adversário, dentro e principalmente fora das quadras.

Enfim, o brasileiro aproveitou bem os jogos, o que  não  pode, é  ser rotulado como exemplo de receptividade, porém há de se lembrar  que uma visão deturpada  sobre  a  nação é muito enfatizada no exterior, as criticas, piadas, chacotas de um país de silvícolas, jacarés que atravessam a avenida paulista, índios, macacos, na cidade, como se o Brasil fosse tomado por toda floresta amazônica, ironia a parte, floresta que os gringos estão de olho ha muito tempo.  Devido a essa visão errônea, entende-se o comportamento da jogadora norte americana, Hope solo, quando a mesma fez aquelas piadas e chacotas sobre a ameaça do mosquito transmissor da zica vírus, e também do comportamento lamentável do nadador norte-americano inventando um assalto misterioso.

Dos nossos atletas, só podemos reverencia-los, suor, dor e lagrimas, apesar de muito exagero das lágrimas, por causa de  uma imprensa que promove a comoção, o sentimentalismo. Fica parecendo menos natural do que deveria.  O apresentador Tadeu Schimdt anunciando que três choros, ele pediria música.  Se uma pessoa é sentimental, é algo interno, peculiar. Fica estranho fazer propaganda do sentimento que vai ocorrer, quando o sentimento deveria surgir naturalmente. O choro está se tornando um combustível para aumentar a audiência nos programas de TV.

 O Brasil teve um saldo positivo, O COB, estipulou uma meta maior do que a alcançada. Porém o esporte favorece o imprevisível,  modalidades favoritas perderem e outras que não eram  ganharem. Com as medalhas de ouro, prata e bronze alcançadas pelos nossos atletas, surgiram algumas polêmicas, felizmente não foi o doping, que ficou marcado pelos atletas russos.  “A polêmica do ”bater em continência” gerou várias opiniões.  O técnico do atleta Arthur zanetti, medalhista de prata,  Marcos Goto questionou a referência de atletas que são militares,  pois as forças armadas, buscam atletas de alto rendimento, com experiência em torneios internacionais, medalhistas,  e dão a eles patentes militares, e consequentemente o salário da função. O técnico Marcos Goto questiona o não investimento na base, ou seja, nas crianças, adolescentes, em núcleos formadores, em professores formadores de atletas. O professor da PUC-Rj, Marco Antônio Scarlercio foi além e fez uma pesquisa e define como uma estratégia de Marketing, e que o aceno com a mão ( bater em continência) pode ser visto mais como um aceno ao patrocinador do que patriotismo.

Dos 465 esportistas, 145 participantes são militares, quase 30%. E foram muitas medalhas desses atletas nessa olimpíadas. Além desses atletas não terem uma rotina militar, não acordam no quartel, não tem serviço militar, assim como os outros militares  que ingressarem por meio de provas e curso de formação. Fizeram parte das forças armadas recentemente, as vésperas das olimpíadas. O próprio Arthur Zaneti  entrou há dois meses, outros medalhistas, se tornaram terceiro sargento, em 2014 e 2015. Parece que essa continência tem um valor muito importante para as forças armadas.

Sobre algumas derrotas que ficaram marcantes nesses jogos do rio, não se pode pesar tanto demérito para as atletas do handebol, voleibol e futebol feminino  as respectivas campeãs , Rússia , china no vôlei e Alemanha no futebol fazem um trabalho de investimento nos atletas de base, em escolas, muito diferente do que ocorre no Brasil. Comparando com os EUA que é uma escola tradicional de futebol feminino, sempre com muitos títulos mundiais e olímpicos,  mais de 2 milhões de mulheres praticam futebol nas escolas e universidades norte-americanas. Além de terem uma liga de futebol feminino. A principal atleta da seleção de ouro da china tem apenas 21 anos ,Ting Zhu, maior pontuadora do torneio.

Foi bonito de ver as vitórias da seleção de futebol e voleibol masculino, estavam muito pressionados, porque pra eles só valiam o ouro, enquanto para os demais atletas de outra modalidade, ser medalhista já é um feito heroico.  A Alemanha valorizou muito a conquista do ouro, por ser a seleção do emblemático 7x1, e por mostrar um futebol, muito mais organizado taticamente, tabelas, infiltrações, um jogo coletivo, que no Brasil não ficou evidente. A seleção canarinho com valores individuais, superior aos germânicos, venceu nos pênaltis, merecidamente, mas se fossem os alemães também seria justo.

Serginho, libero da seleção de vôlei, merece todas as homenagens possíveis, exemplo de profissional, vencedor em três gerações. A única homenagem que não cabia era dar a ele o titulo de melhor jogador do torneio.  Não por ele, mas pelo extraordinário oposto Wallace, maior pontuador do torneio, e que desequilibrou em todas as vitórias do Brasil.

Bernadinho que também merece seu reconhecimento, foi discreto como o atleta de minas, disse em entrevista que comparando as duas gerações, 2004 e esta, não enxerga nenhum jogador excepcional como tinha na outra geração.  Se a França, Argentina, Rússia e Itália tivessem Wallace, todas poderiam vencer o Brasil. Obvio que não diminui o trabalho de equipe, de união e perseverança, dessa seleção. Mas o discurso do consagrado  técnico brasileiro, da para entender porque o mesmo Wallace foi reserva em 2012 nos jogos de Londres.

O COB (comitê olímpico brasileiro) colocou uma meta de medalhas para os  465 esportistas. Agora seria o momento dos milhões de esportistas brasileiros, e dos tantos outros estudantes que poderiam se tornar atletas, estabelecer uma meta ao COB,  não de medalhas, mas de investimentos nas escolas públicas, núcleos esportivos, professores e formadores de atletas. Teríamos nas escolas, ao invés de saltadores de muro, cerca, saltadores de salto com vara, lançamento de martelo ao invés de bolinhas de papel nos colegas, levantamento de peso ao invés de arremesso de cadeiras em alunos e até mesmo professores.  

Será que Bolt nasceu  na Jamaica por acaso? O país africano é tradicional em corredores fundistas, mas há um campeonato escolar centenário de corrida, em que os estudantes vencedores levam pontos para sua escola, que são beneficiadas pela formação de atletas. Bolt, se tivesse nascido no Brasil, talvez não tivesse sido descoberto ou poderia se perder no meio do caminho.

Na Grã Bretanha o clichê do legado, serviu como uma luva, nas olimpíadas de Atlanta 1996, ficou em  trigésimo lugar (36) com apenas um ouro,  em Sidney conquistou 11 medalhas de ouro  e Atenas 9 medalhas. Esse ano os ingleses ficaram em segundo com 27 medalhas de ouro.  O Brasil com seus políticos, administradores, governantes, gestores, tem bons exemplos a seguir.

Vilmar Geraldo Lemos Gaspar – Guarda Municipal  em Santa luzia desde 2012

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