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PF indicia 43 pessoas ligadas à seita 'Jesus, a verdade que marca' em Minas Gerais

A Polícia Federal indiciou 43 pessoas ligadas à seita "Jesus, a verdade que marca" por crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, trabalho análogo à escravidão e aliciamento de trabalhadores. Segundo o delegado João Carlos Girotto, responsável pela investigação, os indiciados são integrantes da cúpula da seita, laranjas e pessoas beneficiadas pelo esquema. Todos eram investigados desde 2011 na operação "De Volta para Canaã".



Entre os indiciados, estão o pastor Cícero Vicente de Araújo; o braço direito dele, Adalberto Freitas da Silva, que administrava uma churrascaria de Pouso Alegre e os vereadores Miguel Donizete Buzato, de São Vicente de Minas (MG) e Peterson Andrade Ferraciu, de Minduri (MG). Os empresários Andreia Metran e Paulo Gabriel Júnior também são citados.

O relatório da Polícia Federal com o indiciamento já foi enviado ao Ministério Público Federal em Belo Horizonte (MG). Agora os promotores vão analisar o inquérito e depois o processo segue para um juiz decidir se aceita ou não a denúncia.

Prisões e seita religiosa

Durante os cinco anos de investigação, várias operações foram realizadas pela PF. No ano passado, o líder da seita, Pastor Cícero Vicente de Araújo, chegou a ser preso. Além do pastor, cinco pessoas foram presas e outras 47 ouvidas no Sul de Minas, São Paulo e Bahia.

Todos os bens da organização criminosa foram bloqueados: 115 carros e 15 imóveis, além de contas bancárias, que também foram congeladas. O patrimônio do grupo está avaliado em R$ 100 milhões. A suspeita é de enriquecimento às custas do trabalho em condições semelhante à escravidão dos fieis, que eram convencidos a doar todos os bens para viver em fazendas da comunidade religiosa, sob a promessa de divisão de lucros, o que, segundo a PF, não acontecia.

De acordo com a Polícia Federal, os fiéis frequentavam uma igreja com sede na capital de São Paulo e, em seguida, eram convencidos a ir para o interior, com uma mudança completa de vida. Ao entrar para a seita "Jesus, a verdade que marca", eles seriam convencidos a doar todos os seus bens.

Nas fazendas da organização, eles trabalhavam executando atividades agrícolas, e ainda em postos de combustíveis e restaurantes. Os funcionários assinavam recibos de pagamento pelos serviços, mas não recebiam os salários, que ficavam com a seita. No patrimônio da seita estão casas de alto padrão, carros importados e restaurantes finos. A Polícia Federal afirma que a ostentação fazia parte da rotina dos líderes da seita.

Ainda segundo a Polícia Federal, a organização teve início em 2007 nas cidades de Ribeirão Preto (SP) e São José do Rio Preto (SP), e começou a ser transferida em 2012 para o interior de Minas Gerais. Após a operação da Polícia Federal nas fazendas da região, em 2013, a seita começou a se transferir para a Bahia.

Segundo a PF, as propriedades doadas à instituição eram automaticamente vendidas e os valores transferidos para os líderes da seita. A organização ainda usava "laranjas", que agiam como sócios das empresas, para quem os valores eram transferidos. Os contratos sociais dessas empresas eram alterados constantemente, o que dificultava o trabalho da polícia.

Os suspeitos ficaram presos temporariamente por cinco dias. Eles foram levados para presídios em Três Corações (MG) e São Paulo. Eles deixaram a prisão em 22 de agosto.

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