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    PMDB controla o Ministério das Minas e Energia e é o partido que mais recebeu doações da vale

    Jornais divulgam doações de campanha por empresas da Vale para deputados, mas se esquecem de apontar destinação majoritária da verba a políticos do PMDB

    Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)



    E agora o Estadão deu, a Folha deu: lista de deputados que investigarão o crime ambiental em Mariana (MG), ou discutem o Código da Mineração, e receberam dinheiro da Vale ou de empresas do setor. O Estadão publicou texto nesta segunda-feira. A Folha, no sábado. Sem tanto estardalhaço, claro, pois os olhos da imprensa brasileira estão voltados para a França.

    Ótimo que circulem mais informações sobre a conexão entre políticos e empresas mineradoras. Mas novamente a imprensa brasileira perde a oportunidade de encarar algo muito mais estrutural: o controle do Ministério das Minas e Energia, e órgãos a ele relacionados, pelo PMDB. Insisto no tema desde 2013: “Teia de interesses liga políticos a mineradoras em debate sobre novo Código”.

    Mais fácil personalizar: apenas dizer que este ou aquele deputado (e, sim, é bom também que se nomeie cada um deles) receberam verbas para a campanha eleitoral, sem atentar para um fenômeno politicamente mais amplo. Como exposto e detalhado aqui, metade das doações de empresas ligadas a Vale em 2014 foram para o PMDB. Metade. Entre R$ 50 milhões doados diretamente para os partidos.

    Cabe lembrar que o PMDB controla desde 2007 o Ministério das Minas e Energia e a maioria das superintendências do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que outorga as lavras e é responsável pela fiscalização. Com uma extrema coincidência: são os deputados que indicam superintendentes – em suas bases eleitorais – os que mais receberam doações das mineradoras.

    NOTÍCIAS PELA METADE

    Não é que as notícias dos jornalões não tenham méritos. A da Folha, por exemplo, aborda a ampla incidência de doações entre os deputados mineiros e capixabas. É um dado relevante. Mas também tem deméritos. O Estadão só contabilizou as empresas do grupo Vale que trabalham com mineração. O que deixa de fora as doações da Vale Energia, por exemplo. Como se tudo não fizesse parte da mesma rede de interesses.

    O mesmo Estadão noticia, abaixo, que o presidente da Câmara quer votar o novo Código de Mineração já em plenário, sem passar por mais comissões. Ora, Eduardo Cunha também recebeu dinheiro de campanha da Vale – o que a reportagem não diz – e poder sobre a superintendência fluminense. Por que não se divulga essa informação?

    Curiosamente, o destaque de política nacional do próprio jornal, nesta segunda-feira, traz o seguinte título: “PMDB usa congresso para reforçar as críticas ao modelo econômico petista”. Como se o partido não fosse ator de peso no governo e não tivesse controle sobre uma expressão ativa desse modelo: o desenvolvimentismo predador na mineração. (Curioso alguém pensar que economia sejam só finanças.)

    Que os peemedebistas sejam cínicos (e mantenham a faca no pescoço do governo com a moeda do impeachment), entendemos. Que jornalistas sejam ingênuos ou não consigam entender o que acontece politicamente no setor da mineração, difícil de aceitar. Faz parte de nossa função contar a história como ela é, o mais completa possível. E essa história não é de deputados isoladamente aventureiros.

    MINISTRO TAMBÉM RECEBEU

    Aliás, o ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, dono de um patrimônio de R$ 27 milhões, também recebeu doações de campanha em 2014 de uma empresa da Vale, quando candidato ao governo do Amazonas pelo PMDB: R$ 77 mil da Mineração Corumbaense Reunida.

    Ao contrário da famosa bancada ruralista, suprapartidária, a “bancada da mineração” no Congresso passa diretamente pelo poder de uma sigla específica: e ela atende pelo nome de PMDB.

    Fonte: Outras Palavras

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