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A História da Brasileirinhas, a Maior Produtora de Filmes Pornográficos no Brasil


Uma garota aparentando 20 e poucos anos entrou na cozinha com olhar entediado. Seu porte é pequeno, curvilíneo, e a primeira coisa que chama atenção é seu cabelo liso e preto azulado descendo displicentemente até a bunda. O look casual, composto por um shortinho e uma baby look com a expressão "Brasileirinhas" escrita em letras garrafais, denota um momento de tranquilidade. "Vem almoçar", chama uma senhora. A jovem me olha e dá um imperceptível "Oi" antes de começar a comer seu PF (arroz, feijão, bife e salada) servido pela mulher encarregada do rango. Um homem próximo à mesa ativa uma webcam montada em frente à garota e olha para ela como se desse aval para começar. Notando que eu estava dividindo minha atenção entre a moça e a câmera, o homem me manda um sorriso e me avisa: "Aqui todo mundo quer ver tudo". Esse foi meu primeiro contato com a Brasileirinhas, possivelmente a maior produtora pornô do Brasil.


Escondida em um condomínio de alto padrão nos arredores de Cotia, a Casa das Brasileirinhas está cercada de portões, paredes e cercas vivas altas para não chamar a atenção dos vizinhos. Os próprios funcionários evitam conversar alto e tomam cuidado para que o nome "Brasileirinhas" não escape para as suntuosas casas que dividem a rua. "Para não dar dor de cabeça", explica um deles.

A Brasileirinhas é um espectro onipresente no imaginário sexual do país. Não importa a idade, classe social ou origem, se você alguma vez viu pornô nacional, escutou o nome da produtora.

Eu mesma, ainda criança, antes de sequer sonhar em me interessar por pornografia, conheci a produtora em canais de putaria pay-per-view de TV a cabo. Não lembro o nome do filme, porém lembro com uma clareza a imagem de uma bunda gigantesca em zoom na tela revelando pequenas espinhas. Talvez isso não seja uma lembrança agradável, mas me impressionei por estar assistindo a um filme de sexo falado em português. Nos créditos finais, o nome que ficou fixado nos confins da minha pré-adolescência: Brasileirinhas.

Não é um mistério que a indústria brasileira de filmes adultos seja uma versão "gambiarra" da que existe nos EUA. Estamos falando de pouca grana movimentada, quase nada de fiscalização de conteúdo (exceto para zoofilia, pedofilia e outras parafilias consideradas crimes no Código Penal nacional) e pouquíssima informação sobre a história das produtoras que fizeram história.

A ida à Casa das Brasileirinhas foi programada para conversar com o porta-voz oficial da produtora, o diretor de marketing Fábio Dias, conhecido na internet como Fabão Pornô.

"O Emprego dos Sonhos"

Enquanto aguardava a chegada de Fábio Dias, os funcionários me deixaram no jardim. Além da atriz de cabelos compridos perambulando pela casa cheia de câmeras, Angel Lima (ganhadora do prêmio de Melhor Atriz na edição do Prêmio Sexy Hot de 2015) circulou algumas vezes por ali com um olhar de quem procurava por alguém.


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No outro lado da piscina, havia um quiosque reservado para churrascos, o que me pareceu uma possibilidade bastante remota até eu ver o lançamento recente da produtora, Entre Picas e Picanhas, dividindo o espaço com uma academia improvisada. Agora, a mesma garota de cabelos pretos (depois, descobri que seu nome é Bruna) estava com um shortinho mais curto do que o anterior, fazendo uma série simples de musculação. A câmera da casa estava montada no quiosque, onde a atriz começava a rotina de exercícios para os assinantes que estavam online a observando.

A música "Piradinha" tocava em repeat e em um volume próximo à turbina de um Boeing 747.

Depois de alguns minutos de espera e sofrimento, Fábio Dias apareceu. Após se servir de vodka com energético e acender um Marlboro vermelho, sentou em uma das esteiras para curar os efeitos da ressaca da noite anterior e começar a entrevista.

Com quase 67 mil seguidores no Twitter, Fabão alimenta a imagem de detentor da "melhor profissão do mundo" ao publicar fotos com as performers ostentando próteses generosas de silicone, bebidas "masculinas" como Jack Daniel's e cervejas, muito futebol e eventualmente algum comentário político criticando o governo Dilma. É mais comum para ele ver uma transa durante o horário de trabalho do que fazer um relatório ou uma planilha no Excel. Fabão ainda coordena toda a imagem visual da produtora, além de ser o porta-voz oficial da produtora para a grande mídia.

"Meu herói" é uma afirmação bastante comum vinda dos seus seguidores, a maioria pertencente ao público masculino e muito jovem – na adolescência ou saindo dela, no máximo. "Mas isso, para a empresa, é muito bom, especialmente por causa da exposição na televisão e também porque, quando querem falar com a gente, vão direto pra mim."



Fábio Dias. Foto por Felipe Larozza.

"A única coisa ruim é quando estou com meu filho", reclama o diretor de marketing. "Uma vez, [eu] estava na Comic-Con com ele, e veio gente falar comigo coisas tipo 'Bati muito punheta por sua causa, Fabão' do lado de um menino de seis anos. Com criança do lado é foda, né?"

Em contraponto à sua persona online, ao vivo Fábio rapidamente se mostra uma pessoa muito diferente. Estatura baixa, portando um bronzeado paulista (adquirido na luz fria de escritório) e com um pequeno foco de calvície no topo da cabeça, ele é uma pessoa tímida, talvez até um pouco desconfortável com a atenção recebida.

A tremedeira nas mãos revela certo grau de alcoolismo, que imediatamente é mencionado por ele, como se quisesse deixar tudo claro. Ele também adianta alguns detalhes que devem ser tópicos constantes de qualquer conversa inicial sobre sua função: "Não sou comedor, não sou desrespeitoso, e isso é só um trabalho como qualquer outro".

Separado duas vezes (uma oficial e outra não oficialmente), Fábio conta que o "emprego não ajudou" nas relações. "Eu até tinha cuidado de levá-las [as esposas] pro escritório e nas festas pra mostrar que é trampo mesmo, mas, nas filmagens de carnaval, quando você chega com 30 tipos de perfume diferentes e com lantejoula no seu corpo, até explicar isso já era".

Solteiro há três anos, Fábio é esclarecido quanto a relacionamentos. "Eu não me namoraria", admite, "assim como não namoraria uma mulher que posta todo dia fotos com homens sem camisa. Eu sou muito ciumento."

Paulistano de nascença, Fabão foi o típico moleque adolescente de classe média-alta. Estudou em um colégio tradicional nos Jardins, teve mãe dona de casa e um pai ausente no lar, focado no negócio de concessionárias de carros. "Eu sempre fui da pá virada", conta Fábio. O padrão de vida polpudo terminou aos 15 anos graças a alguns investimentos errados do pai. Passou de estudante de colégio tradicional com uma garagem recheada de Mercedes a frequentador de colégio público junto a uma série de dificuldades financeiras que permeavam a vida familiar.

"Foi quando eu descobri onde ficava o ponto de ônibus", relembra.

Nas conversas sobre sua família, é notável a admiração pelo pai, que morreu há poucos anos. O peso da ausência do pai é notável, embora não chegue a prejudicar a admiração pelo seu velho que, assim como o filho, mantinha um gosto pela farra.

Fábio se formou em Marketing na Anhembi com 20 anos. Chegou a cursar outra faculdade, mas acabou largando. Além disso, só trabalhou em agência "top", porém odiava o ambiente publicitário. "Quando falo que o pornô é melhor que a publicidade, ninguém acredita, mas é. Muita droga, muito estresse – e todo mundo quer foder com todo mundo."

"Gosto da exposição, sou educado com todo mundo e tento desmitificar o mundo pornô do jeito que posso, mostrando que é um trabalho como qualquer outro."

A má experiência no meio publicitário – que rendeu uma porrada no diretor de arte da agência onde trabalhava – foi a porta de entrada dele para a indústria de filmes adultos. "Conheci o antigo dono da Brasileirinhas numa loja de carro onde meu pai trabalhava. Eu estava com o portfólio na mão para procurar emprego como assistente de arte. O dono me perguntou se eu sabia tratar imagem, tirar celulite, estrias, e me pediu para fazer o teste."

"Eu não pirava em pornô," relembra Fábio. "Fui pra uma locadora e fiquei lá duas horas olhando as capas para entender o padrão visual que eles queriam. Assim, fui pra casa e fiz. Lembro até hoje que a capa era para o filme Copacabana Girls."

O trabalho não era fácil. "No começo, eu só fazia [filmes pornô de] dog, travesti e gay, até que o diretor de arte – que era meio louco – surtou de vez e eu assumi o cargo, ganhando mais e realizando o triplo do trabalho."

Fábio acompanhou praticamente todas as épocas gloriosas da produtora, sempre como diretor de arte, até que, em 2013, começou a aparecer na internet para dar uma cara à produtora. "E foi assim que surgiu a figura do Fabão Pornô. "Todo mundo fica decepcionado porque eu sou baixinho", diverte-se.

"Eu gosto da exposição, sou educado com todo mundo e tento desmitificar o mundo pornô do jeito que posso, mostrando que é um trabalho como qualquer outro, com funcionários e obrigações", completa.

A conversa começa a dar indícios de que vai terminar quando observamos a atriz de cabelos pretos malhando, agora completamente pelada.

"A gente costumava colocar banhos sensuais nas atividades das meninas, mas levamos uma comida de rabo dos assinantes por causa da crise hídrica", relata. As cenas de banho acabaram vetadas.

Discos, Zoofilia, Clayton Nunes e a Internet

O escritório principal da produtora, perto do surrealismo da casa, é um retorno ao mundo real. O local é arejado, sóbrio, com direito a sala de espera, mesas dividas em pequenas baias e uma agradável laje para onde Fabão escapa a fim de fumar. A única evidência de pornografia são as pastas de documentos da produtora, organizadas meticulosamente por nomes como "Carnaval" ou "Anal".

Cerca de 30 funcionários trabalham ali. Grande parte deles são mulheres, uma surpresa, já que a voz da produtora é exclusivamente masculina. Entretanto, elas não querem falar comigo. Minha suspeita é que a exposição negativa de trabalhar na indústria pornográfica atinja qualquer mulher, mesmo ela não sendo uma performer – o estigma no Brasil persiste. Resolvi respeitar minhas suspeitas e me restringi a apenas observar, quieta, os computadores das funcionárias, de onde eventualmente saltavam bundas, peitos, cus e vaginas nas telas.



Fábio Dias fuma um cigarro no escritório da produtora. Foto por Guilherme Santana.

"Começou com um erro", conta Fabão. O antigo dono, Luis Alvarenga, era dono de uma loja de discos que estava quase falindo na segunda metade dos anos 1990. Na época, a produção de sacanagem nacional ainda flertava com os restos deixados com o fim da Boca do Lixo, embora nem sonhasse com uma produção de larga escala. A pedido de um amigo, Luis começou a vender fitas VHS de pornografia. "Vendeu todos os pornôs, mas nada de discos."

Como um bom homem de negócios, Luis percebeu uma oportunidade crescendo em suas mãos. "Ele alugou ou comprou uma filmadora, uma coisa muito cara para época, e falou: 'Vamos continuar fazendo isso'."

A primeira oportunidade de gravar veio com o convite da Band para cobrir as gloriosas festas de carnaval que salpicavam a imaginação de qualquer moleque espinhento nas madrugadas de folia. O nome da produtora era "100% Nacional", e o primeiro escritório, uma casa alugada na Vila Mariana, se dedicava ao telemarketing para vender as fitas VHS dos carnavais.

Foi um pulo para começar a produzir filmes. "Era muito difícil copiar VHS na época; então, a pirataria ainda era uma realidade muito distante."

A virada do DVD foi essencial para o sucesso da produtora. No início, prensar DVD era caro e não vendia. "O aparelho era caro; e, quando alguém tinha, era na sala de casa. Quem vai ver um DVD pornô na sala de casa?" Assim que seu uso popularizou, os lucros dispararam.

"Nós paramos com os filmes de zoofilia depois que ficamos ricos."

Grande parte da produção das capas feitas por Fabão, desde que começou a trabalhar na produtora em 2002, era de filmes de zoofilia, um hit nacional e internacional de vendas da Brasileirinhas. "O que financiou a produtora no começo eram os filmes de dog. Vendemos para muita gente. Especialmente para o Leste Europeu."

A procura pelos vídeos de zoofilia era farta. "Ninguém queria produzir, mas sempre vinham uns caras pedindo, encomendando mesmo. Colocávamos um preço alto para não aceitarem, mas eles pagavam. E a gente fazia."

A produção por trás de um vídeo de zoofilia, segundo Fabão, era uma merda. Dava trabalho, era preciso achar gente disposta a fazer e animais como pôneis, cavalos, répteis e cachorros para participar.

"A única morte que aconteceu na Brasileirinhas foi uma pobre cobrinha d'água que tinha de ser colocada e tirada da vagina da atriz." Ele conta que a performer colocava e tirava a cobra d'água do corpo para uma bacia cheia de água repetidas vezes, tentando evitar o estresse do réptil e o deixando respirar. Eventualmente, a cobra parou de se mexer.

"Nós paramos com os filmes de zoofilia depois que ficamos ricos", confessa o diretor de marketing. Somada também à engenhosidade de produzir os filmes (a maioria era feita no Nordeste), a tipificação do crime de zoofilia – além do desgosto da mulher de Alvarenga pelo gênero – fez com que as produções cessassem no começo dos anos 00.

A vinda da Blockbuster foi uma das grandes tempestades às quais a produtora sobreviveu. A rede de franquias norte-americana derrubou praticamente todas as locadoras de bairro que compravam as cópias de DVDs da produtora – e, para piorar, ela não permitia filmes pornográficos nas prateleiras.

Alvarenga encerrou de vez suas atividades na produtora em 2010. Esgotado graças ao impedimento de distribuir filmes pornográficos para locadoras menores (que garantia uma fatia generosa do lucro), à pirataria desenfreada dos conteúdos nos camelôs e à sua própria desconfiança com a internet, ele começou a passar a tocha para Clayton Nunes em 2007, à época editor do Sexsites.

Clayton teve a grande sacada de começar a distribuição dos DVDs pornôs a preços populares em bancas de jornal e postos de gasolina, o que foi importante para eliminar o estoque excedente de DVDs que empoeiravam em um armazém situado na grande São Paulo. Além disso, foi um dos pioneiros na indústria de filmes adultos nacionais a acreditar que o futuro da sacanagem estava na rede mundial de computadores.

Antes de comprar a produtora, Nunes já nutria um relacionamento com a Brasileirinhas. Em 2001, ele começou a distribuir os filmes da produtora em bancas de jornal e, posteriormente, montou o primeiro site da produtora. Assumir o controle da empresa foi "natural", segundo ele, que conseguiu que a receita do conteúdo online superasse a venda de cópias físicas.

Administrador de empresas e "nerd", como ele mesmo se define, Clayton Nunes é um homem articulado e sorridente. Carregada por um sotaque paulista empresarial, sua fala consegue preencher todo o escritório da produtora. A imagem de Nunes reúne as características para que nossas mães e tias denominassem alguém como "um pão". Dentes brancos, barba por fazer, cabelos chegando aos poucos no grisalho e uma postura meio de bronco. O relógio brilhante, que pode ou não custar uma fortuna, repousava em um dos braços bronzeados.

Teoricamente, Clayton não gosta de aparecer e muito menos de dar entrevistas, porém ele não se incomodou com a presença do gravador ligado há quase uma hora e contou alegremente sobre as suas atividades profissionais.

Há anos, a tática de Nunes é comprar pequenos sites pornôs brasileiros que estão capengas. A Buttman Brasil, filial local da produtora de John Stagliano coordenada pelo pornógrafo Stanlay Miranda, foi uma das maiores compras da produtora em 2008. Em seguida, ele trouxe a Planet Sex e a Sexxxy pra dentro do monopólio. "Hoje, o que o consumidor brasileiro procurar do Brasil, é nosso", resume Clayton.

Em 2013, a produtora anunciou que pararia de produzir cópias de DVDs e iria se concentrar apenas no conteúdo online. O site da produtora conta com mais de 10 braços focados em diferentes conteúdos (amador, anal, transex e afins) e tem um acervo de mais de 2 mil cenas e 500 filmes. "São 5 milhões de acessos por mês", comemora o dono.

Como uma fênix capenga e depenada, renascendo das cinzas a cada crise com um membro a menos que não se recuperou do baque, a Brasileirinhas conta com 20 anos de existência em um mercado incipiente e muito pouco valorizado pelo público. Ela faz jus ao nome e não desiste nunca.



Um dos cômodos onde as atrizes dormem. Foto por Felipe Larozza.

Celebridades

Os filmes pornôs de celebridades foram a época mais especial para a Brasileirinhas. Começou em 2004 com a atuação sofrível de Alexandre Frota, o pitboy carioca, à época ex-Casa dos Artistas, no filme Obsessão, dirigido por José Gaspar, e também com o filme Sedução, lançado no mesmo ano, estrelando a "rainha dos presídios" Rita Cadillac.

Ao contrário dos EUA, onde um famoso pode se tornar um performer pornô quando sua sex tape amadora vaza para a mídia (propositalmente ou não), no Brasil o pornô conseguiu atingir o sonho molhado da indústria, sendo capaz de fechar contratos de verdade para ter celebridades atuando em cenas pornográficas de verdade.

Graças ao sucesso absoluto na estreia de Frota e Cadillac no mercado pornô, o gênero acabou se tornando a "Santa Trindade da Brasileirinhas". "Os distribuidores compravam em toneladas, porque vendia que nem água. Tinha muito mês [em] que a gente batia a Disney na venda de DVDs", relembra Fabão.

No mesmo perfil de ex-celebridades que buscavam retomar os holofotes da fama, outros frequentadores das páginas de Caras e ex-participantes do BBB também estrelaram no catálogo de obras da produtora, incluindo nomes como Gretchen, Marcos Oliver, Matheus Carierri, André Cowboy e Leila Lopes.

Graças aos filmes de celebridades que vendiam que nem água no mercado, a Brasileirinhas passou pela fase de vacas gordas, quando cerca de 35 longas eram rodados em um mês. "Grandes produções", frisa Fábio. Hoje, a produtora lança dois títulos por mês, sempre online – e olhe lá.

Em 2008, a atriz ex-global Leila Lopes foi um dos grandes anúncios da produtora no seu catálogo de celebridades. O título Pecados & Tentações, também dirigido por José Gaspar, foi um sucesso de vendas e colocou-a novamente dentro dos circuitos midiáticos.

"As pessoas têm na cabeça que a gente ainda paga R$ 500 mil de cachê; hoje, não existe mais isso. Esquece."

O sucesso rendeu mais duas películas com a produtora em seguida. "Apesar da idade, mostrou-se inteira e incansável na hora da foda!", descreve o índice de performers da produtora.

Em uma profunda depressão, Leila Lopes se matou em 2009 ingerindo veneno de rato. A atriz deixou uma carta de suicídio agradecendo à família, aos amigos e a algumas pessoas da imprensa. Nada foi mencionado sobre a Brasileirinhas. "Não foi por causa do pornô que ela se matou", Fabão faz questão de afirmar.

"A Leila Lopes não queria grana, ela queria ser reconhecida. O que a matava era estar fora da mídia. Quando ela fez o filme, acabou voltando para todos os programas, mas isso caiu rapidamente", relembra.

Para a produtora, qualquer hora é hora de fazer negócio. Com a atenção voltada ao suicídio de Leila, o filme foi colocado à venda novamente no mercado para descolar alguma grana. Não vendeu nada, e acabou pegando mal. "Tivemos de tirar correndo tudo de circulação. Foi com a Leila Lopes que aprendemos a nunca mais mexer com morte", completa Fabão, profético.

De qualquer forma, em 2009 a era de ouro das celebridades estava começando a mostrar sinais de perecimento. Hoje, o retorno com esses vídeos não é nem próximo do que foi outrora. "As pessoas têm na cabeça que a gente ainda paga R$ 500 mil de cachê; hoje, não existe mais isso. Esquece. Só faríamos algo com uma celebridade se ela topasse fazer um esquema de royalties."

Além disso, alguns pastores evangélicos começaram a se incomodar com o fato de que os DVDs que eles vendiam com seus sermões vinham da mesma fábrica que fazia os DVDs da Brasileirinhas. Logo começou um boicote para a produtora sair da Videolar, indústria que prensava os DVDs – e essa foi apenas a primeira das tretas que fizeram a Brasileirinhas começar a investir pesado na internet.

Nunes também conta que as grandes produções feitas com celebridades eram alvo de críticas dos consumidores. "Quem consome pornografia mesmo não gosta disso: eles preferem muito mais um Loupan ou um Ed Júnior da vida do que ver uma celebridade trepando na frente das câmeras. A verdade é que a maioria dos bons atores pornôs são feios", encerra.

Ainda assim, foram as celebridades que garantiram a existência prolongada da Brasileirinhas até hoje. "Ganhamos muito dinheiro com isso", destaca Fabão. "Só que hoje não tem mais como: brasileiro é filho da puta e, em vez de pagar, vai ver tudo no Xvideos. Não tem jeito."

Os "Punheteiros"

Nada diferente do que o mercado externo de filmes adultos vem vivenciando. A Brasileirinhas sofre pela falta de costume do assinante em pagar pelo conteúdo. É uma questão complicada. Imagine como deve ser difícil para um cara com o Xvideos aberto e o pau na mão associar o seu entretenimento com uma cadeia de pessoas que precisam ser pagas porque são responsáveis pelo mesmo conteúdo que o consumidor está se vangloriando de poder ver sem pagar. Não são só as atrizes e os atores que precisam do cachê. Tem também a maquiadora, o cara que faz a iluminação, o diretor, a edição, e até quem faz o cafezinho dos funcionários depende da grana para pagar as contas de casa.

Ainda assim, a Brasileirinhas consegue contar com uma certa quantidade de fiéis assinantes que pagam e acompanham a evolução da produtora há muito tempo. Eles são apelidados carinhosamente pela empresa de "punheteiros".

"Tem muito assinante que paga religiosamente o site e reclama se não tiver o que ele quer nas cenas", afirma Fabão. "Uma vez, colocamos uma mulher tatuada, meio Suicide Girl, na Casa das Brasileirinhas, e eles detestaram."

Os consumidores da Brasileirinhas são homens dotados de prazeres simples: mulheres com bunda, peitos e coxas grandes, marquinha de biquíni e muito sexo anal. "As centauras", como o próprio Fabão se refere às atrizes, são versões superlativas de paniquetes e musas fitness do Instagram, formando o padrão oficial do Brasil, capitaneado por performers como Angel Lima e Vivi Fernandes.

"Mulher não precisa assistir a filme pornô também, né?"



A fidelidade do assinante da Brasileirinhas é uma questão interessante para explicar por que todos os conteúdos produzidos são muito parecidos. Ninguém quer perder o freguês, enquanto esse não quer perder a punheta de maneira alguma. Assim como a regra da diversão é futebol na quarta e no sábado mais churrasco no domingo, o pornô também tem de ser encaixado na rotina do punheteiro. Ai de quem tentar ousar um pouco.

Em outras palavras: o cliente tem sempre razão. E como são poucos fazendo questão de pagar pelo seu pornô, o conteúdo da produtora acaba se tornando refém deles.

Não que isso seja um problema para Clayton. O dinheiro continua entrando, e os funcionários da empresa são pagos por causa desses caras e, eventualmente, dos direitos de algum filme que entrou novamente em circulação no mercado.

A própria visão sexista do dono mostra que não há um horizonte de grandes mudanças na pornografia brasileira à frente. "Mulher não precisa assistir a filme pornô também, né?", Clayton pergunta retoricamente.

Ele chega até a vislumbrar seus filmes como educação sexual, embora não veja problema algum no fato de a maioria dos títulos da produtora não se ater ao prazer feminino. "Olha, ninguém vai gozar muito quando tá casado. Homem e mulher. Eu não gozo muito quando tô casado", justifica.

Embora cada vez mais o público feminino comece a se interessar em ver pornografia, o próprio dono da maior produtora pornográfica do Brasil parece ainda relacionar o conceito "filme para mulheres" a grandes produções com atuação de celebridades. "Normalmente, existe filme pornô pra homem e para a mulher, essa que é a diferença. Hoje, a gente nem faz muito esse tipo de filme. Tem de ter celebridade ou um cara com aptidão com mulher", explica.

Fábio se mostra mais disposto a mudanças, mas a própria falta de conhecimento dele sobre as possibilidades da sexualidade não deixa suas vontades passarem da primeira página. "Uma amiga minha que é feminista me falou pra gente começar a fazer pornô feminista, mas nem sei por onde começar. Talvez chamar uma mulher para dirigir um filme?", ele me olha, confuso. Decido deixar a pergunta sem resposta.



Gil Bendazon. Foto por Felipe Larozza.

Casa das Brasileirinhas

Na internet, A Casa das Brasileirinhas é uma junção de caming, pornô convencional e Big Brother Brasil. Desde 2013, é a atividade principal da produtora.

O site transmite conteúdo 24 horas por dia e o valor da assinatura é acessível. São três meninas por mês (quem ganhar a votação dos assinantes repete a última semana) que precisam interagir de verdade com os usuários, seja falando ou por escrito. Durante a semana, elas transam com outros atores, se masturbam, malham e comem sob os olhos famintos dos assinantes. O cachê não é altíssimo, mas também não é ruim; além disso, o custo das filmagens também não é alto, e daí é que sai muito material para poder ser reutilizado em novos filmes. Colocando tudo no papel, todo mundo sai feliz de lá.

A parte do 24/7 não é exagero. As atrizes ficam à mostra aos usuários durante todo o período que permanecerem na casa. Não só nas cenas em que ela precise transar com um ator ou fazer uma cena lesbo com outra menina – a câmera também está ligada quando ela come, toma banho e vai dormir.

"Teve uma vez que um dos assinantes perguntou para a atriz da semana no chat o que ela comia tanto, porque ela peidava muito quando estava dormindo", conta Fabão.

Esse conceito foi concebido conjuntamente entre o diretor Gil Bendazon e o Clayton Nunes. Foi um casamento feliz: Clayton tinha a infraestrutura e a pressão de vender conteúdo online, enquanto Gil era um dos melhores diretores de filmes adultos do Brasil. "Padrão gringo", esse é o comentário geral sobre o seu trabalho.

Bendazon trabalha na indústria desde 1995, quando começou na falecida Buttman Brasil duplicando VHS. A curiosidade e a disposição de aprender todas as possibilidades da pornografia o levaram a, em 2005, dirigir seu primeiro filme e também ser um dos donos da produtora Red Angel, junto com um brasileiro e dois norte-americanos.

Sabendo que, em comparação com os EUA e a Europa, o mercado daqui é pífio, ele foi fazer inúmeros trabalhos para o mercado externo, o que lhe rendeu alguns prêmios em cerimônias, como o AVN e o Xbiz.

A relação de Gil com a Brasileirinhas começou em 2010, quando o esboço da casa começou a ser feito. Três anos depois, houve a estreia do reality, hoje a principal atração do site principal da produtora, que conta com 11 mil assinantes e 5 milhões de acessos mensais.

A agilidade do diretor e sua baixa tolerância com falta de profissionalismo o fazem ser um perfeito coordenador do reality show. Tudo pode acontecer em uma semana na qual a câmera nunca é desligada. Cocô acidental durante uma cena de sexo anal, atriz que fica doente, menstruada ou simplesmente indisposta, falta de internet, etc. Gil mostra uma capacidade de desdobramento muito certeira para fazer tudo funcionar. E funciona. Tanto é que diariamente ele bate cartão em Cotia para mais uma jornada de sexo ao vivo.

"Entre quatro paredes, todos nós somos heróis, mas, na hora [em] que você liga a luz, o cara fica mole"

Bendazon compartilha com Clayton a aversão em mostrar seu rosto para as câmeras. A balaclava acabou sendo uma opção para esconder o rosto quando necessário, o que lhe rendeu o apelido de "Ninja do Pornô".

Antes de mais nada, Gil gosta de deixar muito claro que sua profissão é séria. "Não é putaria, é trabalho."

A entrevista aconteceu numa segunda visita à casa. Bendazon me colocou em uma sala de jantar decorada em um estilo que eu chamaria de "motel caro". Uma foto de uma mulher sensual com algumas rosas e pérolas me observava próximo à mesa que estava montada com pratos, talheres e copos que jamais foram usados. Todos eles ainda estavam com as etiquetas de preço.

Gil ligou a câmera, apontou para si, sentou à mesa e começamos a conversar ao vivo para os assinantes da casa. Ele estava com a famosa balaclava e uma camiseta preta, deixando apenas seus olhos claros em destaque. Combinando as informações do cenário e o rosto coberto de Gil, tudo parecia um vídeo caseiro feito pelo Estado Islâmico.



Foto por Felipe Larozza.

Pornô, segundo ele, dá dinheiro sim e dá para viver. Até pouco tempo atrás, Gil ainda fazia publicidade em paralelo ao pornô; hoje, ele só trabalha na casa. O meio publicitário, também para ele, é mais podre do que o próprio pornô. "No pornô, a putaria é ao vivo, e na publicidade a putaria acontece nos bastidores", diferencia o diretor.

O preconceito contra a indústria é um dos maiores motivos para o diretor manter sua face sempre coberta para o público. "Nunca escondi o que eu faço, minha família sabe, meus amigos. Quem interessa, sabe. As pessoas julgam, mas não querem ser julgadas."

A aversão pela publicidade vai além da máscara. São raras as aparições de Gil para receber prêmios da indústria; além disso, ele não dá muitas entrevistas, atitudes que contribuem (junto com a seriedade) para fazer do diretor uma pessoa muito respeitada no meio.

"Todo meio tem o bom, o ruim e o péssimo. Você vai ter uma pessoa pilantra, a drogada, a fofoqueira, o alcoólatra, o vagabundo e uma prostituta. É tipo uma empresa. Existem pessoas que querem a profissão, e existem outras que querem curtir", termina o diretor.

Uma vez por semana, a Casa das Brasileirinhas oferece a oportunidade para um dos seus assinantes de visitar o local e poder transar com uma das atrizes. Mesmo que, a cada semana, a caixa de e-mails da produtora lote com pedidos masculinos para se tornarem atores, a média dos amadores calculada por Fabão, Gil e Clayton é pacífica: 90% broxam na hora do show, isso quando eles aceitam o convite e nunca aparecem.

"Entre quatro paredes, todos nós somos heróis, mas, na hora [em] que você liga a luz, o cara fica mole", aponta Gil. "O cara pergunta pra mim 'Vocês vão ficar aqui?', e eu respondo 'Claro que sim'. Depois disso, esquece."

Fabão vai mais além e filosofa que essa atividade dos assinantes é tão adorada porque há um prazer sádico de ver o cara broxando. "Quando vai um cara que consegue, os assinantes online metem o pau. Odeiam." Algumas atrizes também não gostam de lidar com amadores e dão uma zoada no cara. Tipo apontar para o pau murcho do cara e perguntar "E aí, vai demorar pra acontecer?".

As idas dos assinantes, obviamente, não são pagas. "É um privilégio, na verdade", afirma o diretor de marketing. "Todo mundo chega com o cu na mão. Uma vez, um amigo meu veio fazer uma cena, e o chamei de canto pra avisar que era melhor ele tomar Viagra."

Concorrência

Num oceano em que a regra é ser um peixinho dourado com baixa expectativa de vida, a Brasileirinhas lidera tranquilamente um mercado cheio de amadores e experimentações na pornografia. Todos os anos, produtoras novas abrem, enquanto outras fecham as portas por não terem capital para competir com a pirataria e os dilemas que a própria indústria evoca.

No caso, estou mencionando especificamente as produtoras que também fazem conteúdo para o público hétero. O caso da produção de filmes LGBTT, que engloba todo o mercado de "bonecas" (travestis e transex) e pornografia homossexual masculina, é uma história à parte, pois essas obras especificamente têm uma constante demanda de consumidores de fora do país.

O próprio Fabão, ao relembrar a história da produtora, conta que o Brasil continua sendo um dos maiores exportadores de pornô transex. Outra tendência na indústria local são os filmes customizados, em que consumidores podem encomendar um filme particular, criando o roteiro e escolhendo até as performers – não muito diferente do início do trabalho da Brasileirinhas com zoofilia.

A saudosa história do 2 Girls 1 Cup é um exemplo clássico do mercado customizado. A película de scat foi feita no Brasil e, teoricamente, era para ser algo restrito a grupos apreciadores de cropofilia. Vazou, virou piada e caso de polícia (um dos funcionários da produtora foi preso nos EUA), porém a empresa ainda existe e oferece um catálogo de atrizes e variados temas para facilitar a personalização de suas obras cinematográficas.

Com isso, o monopólio do segmento hétero, construído graças à manobra de Nunes na compra de pequenas produtoras falidas, pertence quase que exclusivamente à Brasileirinhas."Que fique bem claro: espero muito que chegue o dia [em] que teremos uma concorrente à altura para se preocupar", diz Fábio.

Os inimigos, portanto, são poucos. E, quando existem, aparecem à base de fofocas inevitáveis que correm pela indústria, na qual todo mundo se conhece.

Prêmio Sexy Hot

Embora a receita gerada pelo conteúdo online segure as pontas da produtora, há um outro modo empresarial de venda de conteúdo que funciona: os filmes on demand oferecidos nos canais adultos de televisão a cabo.

Quem abocanha essa parte é a Globosat, dona do canal Sexy Hot (reservado às produções nacionais), a Playboy TV, For Man (LGBTT), Private (uma mistura de soft porn e explícito), Sextreme (reservado às produções hardcore com toques de fetiches), Venus (mais voltado às produções europeias) e Brazzers (reservado exclusivamente ao conteúdo da produtora norte-americana). Ou seja, se você quer ver pornografia na televisão (pagando o pacote especial, claro), é a Globosat que você precisa procurar.

Para vender seu conteúdo, a Brasileirinhas precisa comer na mão da Globosat para conseguir que seu conteúdo seja exibido na grade. Não que isso represente um grande desafio, visto que a produção deles é superior ao resto do mercado local. Só que Nunes é um capitalista que quer ter o controle de seu mercado; assim, ele se sentiu em uma posição de desvantagem em relação ao que está acostumado.

De acordo com ele, a Sexy Hot também percebeu que estava refém da produtora na questão de conteúdo. A saída foi investir na concorrência a fim de colocar a Brasileirinhas para escanteio.

"Quer a verdade nua e crua do PIP [Prêmio da Indústria Pornô]? O Sexy Hot tava na minha mão. E cheguei pra eles com o pau na mesa, dizendo 'Ou vocês me pagam tanta grana, ou vocês que se fodam', e a solução deles foi dar dinheiro para pequenas produtoras para criar uma concorrência. Assim, nasceu o PIP", revela Nunes.

Na época da entrevista, apenas a primeira premiação havia rolado e não se sabia ao certo como seria o esquema da próxima edição. Nunes afirma que, de um dia para outro, por causa da existência do prêmio, muitos atores correram para abrir pequenas produtoras a fim de poder vender conteúdo para a Sexy Hot – a qual, segundo Clayton, "estava comprando tudo".

"Na época, começou a aparecer um monte de gente. Já existiam algumas, como a Red Angel, a Xplastic, uma tal de Erógena, que produz soft-porn, mas o resto era tudo [empresa] de ator que montou uma produtora para participar", aponta Nunes.

O desconforto de Fábio e Nunes com a existência do prêmio é algo palpável. Nenhum deles gosta da premiação, porém ambos reconhecem que ela é uma coisa importante para as atrizes e os atores que trabalham na indústria. "Foi meio que pra inglês ver. Foi legal, porque as atrizes se empenham mais para fazer os filmes. Elas se importam demais por causa disso, tá quase mais importante do que dinheiro", brinca Fábio.

Embora Nunes e Fábio afirmem que a premiação estava toda combinada para todo mundo levar o prêmio e sair feliz da primeira edição, eles também não negam que brigar com a Globosat não é uma jogada saudável para a produtora.

"Pra que eu vou me indispor com a Globo? 70% do lucro da NET é dos canais Globosat. Eu preciso dela pra sobreviver, e, além disso, o NOW tá na mão da Globosat também. Eu vou fazer o quê? Tenho de fazer cara de bosta mesmo e pagar meus funcionários", admite Nunes.



Casa das Brasileirinhas. Foto por Felipe Larozza.

O gênero 'brasilerinhas'

Além dos "punheteiros", que formatam o conteúdo pela demanda, a Brasileirinhas carrega outro aspecto que é tanto uma vantagem quanto uma desvantagem. A vantagem é que, quando se pensa em pornografia no Brasil, a primeira coisa que vem em mente é o nome da produtora. O que nos leva para a desvantagem: o nome é tão genérico que acabou se tornando um termo para qualquer obra pornográfica fabricada no Brasil. Isso é algo equivalente a você chamar qualquer lâmina de barbear de Gilette ou qualquer absorvente interno de O.B. No pornô, isso significa menos dinheiro e mais dor de cabeça.

Pense que todo dia surgem sites que usam o nome "brasileirinhas" sem autorização e que eles são indexados à primeira página do Google, às vezes aparecendo à frente da página oficial. Existe, claro, o DMCA, que já comentei em outra reportagem para o Motherboard. Graças a duas funcionárias que trabalham diariamente, segundo o próprio Clayton Nunes, "secando o gelo", o Google recebe cerca de 1.500 relatórios de DMCA por dia da Brasileirinhas. Tudo para conseguir retirar do sistema de busca essas páginas que usam conteúdo da produtora sem autorização.

Leio no Motherboard: A Dupla da Brasileirinhas que Derruba os Pornôs pela Internet
"Minha luta é tirar os piratas da primeira página do Google e só deixar minhas coisas lá", conta Clayton. "A segunda, terceira página, foda-se, porque, se o cara chegou até lá, é porque ele não vai mesmo pagar pelo meu conteúdo."

No entanto, é preciso lembrar que a Brasileirinhas não tem grana suficiente para conseguir endurecer a eficácia do regime de direitos autorais no campo pornográfico online, e o Google só se importa de verdade se tem pornografia infantil na jogada. "Você quer saber quem é nosso maior inimigo?", pergunta Nunes. "É o Xvideos. Eu odeio essa merda."

A segunda parte da reportagem será publicada em breve.

Fonte: Vice

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