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Escrito por Moderador

Crise na Saúde impacta diretamente na qualidade do atendimento infantil em Santa Luzia

Em meio a cortes no orçamento federal do SUS, prefeituras da Grande BH e do interior diminuem a oferta de especialidade e obrigam mães e filhos a peregrinar por unidades de saúde para conseguir tratamento.

De acordo com a presidente da Sociedade Mineira de Pediatria, Raquel Pitchon, a entidade recebeu, neste ano, informações de médicos de João Monlevade, Santa Luzia e Lagoa Santa sobre dificuldades no atendimento. Segundo ela, o Hospital Santa Margarida, em Monlevade, tem enfrentado falhas nas escalas, agravadas pela crise. “É mais uma sobrecarga no serviço, que já apresentava dificuldades”, afirmou. Em Santa Luzia, ela explica que as queixas são sobre a UPA São Benedito, onde também há reclamações de escalas deficitárias. No início do ano, o Hospital São João de Deus fechou as portas, o que também fechamento da Santa Casa trouxe impacto a toda a rede do município.

Para Raquel Pitchon, o contingenciamento de recursos na área da saúde agrava uma situação que já era preocupante na especialidade. “Já estamos vivendo uma desestruturação na pediatria, tanto do atendimento ambulatorial quanto no hospitalar”, afirma. Segundo ela, esse quadro tem dois impactos negativos: há cada vez mais unidades com escalas desfalcadas e profissionais sobrecarregados. “Isso prejudica o paciente, pois aumenta a chance de erro médico, e expõe os profissionais a cargas excessivas e ao risco de violência por parte da população”, afirma.

REESTRUTURAÇÃO A saída encontrada por municípios mineiros para lidar com as equipes desfalcadas na pediatria foi desativar serviços em algumas unidades e concentrar atendimento em outras.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Santa Luzia, o corte do governo federal deverá impactar diretamente a assistência. “A dificuldade de contratação de pediatras ocorre há algum tempo e tem uma série de fatores que resultam no baixo número de profissionais disponíveis no mercado”, diz a nota. Segundo a secretaria, na UPA São Benedito, a pediatria conta com quatro especialistas, em cada plantão de 12 horas. Já a Secretaria de Saúde de Lagoa Santa informou que não faltam pediatras nas unidades de saúde.

Apesar da crise no atendimento infantil – setor em que o contingenciamento de 11,3% nas verbas para a saúde se somou à histórica falta de especialistas –, o número de profissionais tem aumentado nos últimos dois anos, segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Paulo Poggiali. “Os acadêmicos de medicina estão se interessando mais pela área nas faculdades”, disse. Ele afirma ainda que médicos-residentes ou já formados estão voltando o olhar para a especialidade, mas lamenta o arrocho no Orçamento, que impede a normalização do setor. “Essa é a expressão maior do sucateamento do estado, e quem sofre com isso é a população”, afirmou.
No caso de Minas, o Ministério da Saúde ainda não detalhou qual será o tamanho do corte de verbas. No ano passado, R$ 7,4 bilhões de recursos federais para a saúde foram executados no estado. Até a última sexta-feira, exatos R$ 5,4 bilhões haviam sido liberados. Segundo a pasta, no entanto, o contingenciamento não recai sobre despesas obrigatórias, como serviços de alta e média complexidade e atenção básica, e sim sobre despesas administrativas e assinatura de novos convênios, por exemplo.

Questionada sobre os impactos do contingenciamento no Orçamento, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) não se posicionou sobre o assunto. Informou, no entanto, que o número de pediatras – entre especialistas clínicos, oncologistas e cirurgiões – aumentou de 9.862, em 2011, para 10.424, neste ano. Ainda segundo a pasta, em Minas, 456 instituições oferecem leitos pediátricos para internações. Sobre o orçamento destinado à clínica pediátrica hospitalar de média complexidade, foram investidos no estado R$ 90,49 milhões no ano passado, praticamente o mesmo valor de 2013 (R$ 90,44 milhões). Neste ano, de janeiro a setembro, foram destinados ao setor R$ 67,9 milhões.
Há, no estado, segundo a Sociedade Mineira de Pediatria (SMP), cerca de 2.830 pediatras, aproximadamente 50% em Belo Horizonte. “Não podemos falar que haja déficit na capital. Mas a distribuição é muito heterogênea no interior. Há municípios que nem mesmo contam com pediatras”, afirma Raquel Pitchon.

De acordo com a Secretaria de Saúde da capital, a prefeitura tem investido no reforço no número de pediatras. Em 2011, foi realizado concurso para a área no SUS-BH. Na disputa, 125 pediatras foram aprovados, todos foram nomeados e 50 tomaram posse. Em 2014, foi realizada nova seleção, em fase de homologação, com 10 vagas para atendimento infantil e possibilidade de convocação de maior número de aprovados.

Via Estado de Minas

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